Barceloooooooona... Tem uma música que foi usada para as Olimpíadas de Barcelona. Eu não tenho a menor ideia da letra, pois mesmo tendo o CD eu só ouvia “amigos para siempre”. Lembro apenas que ela começava com um grito de tenor, cantando forte o nome da cidade. E esse grito não saiu da minha cabeça durante os três dias que passei em Barcelona.
Mais uma vez a escolha do hostel foi perfeita, tanto em relação à localização quanto em relação à acomodação. O nome Chic and Basic foi seguido à risca. O hostel é limpíssimo, todo branquinho, com uma cozinha coletiva que lembra muito o estilo da minha casa (ao menos o estilo que eu gostaria que minha casa tivesse). O melhor: na cozinha coletiva tinha uma geladeira laranja completamente abastecida com frutas, queijo, presunto, iogurte, leite, sucos, manteiga, etc... Além disso havia pão, bolo e uma torradeira na cozinha. E podíamos nos servir à vontade. Isso nos poupou muitos euros de café da manhã e proporcionou boas conversas com a “garotada” do hostel.
Essa “garotada” é fantástica. Dois jovens casais de cerca de 55 anos. Ambos de Brasília. Nos conhecemos logo no primeiro dia e ficamos trocando dicas de cidades nos dois dias restantes. Vagner e Rosa e Vani e Cel. Ponce. Graças ao Vagner fizemos um dos melhores passeios em Barcelona, o Tibidabo. Na volta desse passeio, na nossa última noite, sentamos para lanchar na cozinha e encontramos o Cel. Ponce, que simplesmente fez todo o roteiro da nossa viagem para Madrid e Lisboa. Só no final da conversa ele comentou que TINHA UM LIVRO PUBLICADO DE COMO FAZER TURISMO BARATO EM LISBOA. Foi muita sorte! Ou azar, dependendo do ponto de vista. Ele falou tanto de Lisboa que ficamos com vontade de nem passar mais por Madrid e ficarmos uma semana inteira em Lisboa. Veremos... Mas foi incrível mesmo. Trocamos contatos e devemos nos corresponder. Esse livro eu quero autografado para uma próxima viagem a Lisboa, agora com todos aqueles que amo...
O banheiro do quarto merece registro. Na verdade não era bem um banheiro no nosso conceito. A pia ficava ao lado da cama. Parece que usa muito isso na Europa. E o chuveiro fica junto com a privada. Não que exista um outro cômodo no quarto. De um lado da cama fica a pia e do outro um grande box, ABERTO EM CIMA, com chuveiro e privada. Olha. Se existia qualquer resquício de privacidade entre mim e a Rê, morreu ali. Sem notarmos já estávamos conversando enquanto um dos dois fazia xixi. O número 2 exigia um pedido de retirada do outro. Não há amizade que supere esse trauma.
Escatologias a parte, o hostel é mesmo muito bom e recomendo!
Vamos falar de coisa boa??? Em Barcelona tive também uma das maiores alegrias da minha vida: Fui chamado para ser padrinho da criança mais amada do mundo, a Ana Teresa. Esse nome é lindo!!! Fiquei feliz e honrado com o convite de uma forma nunca vista na história desse país. E quero ser o padrinho mais presente do mundo. Terei agora de me planejar para ir a Juiz de Fora uma vez por mês a partir de janeiro... E que venha a Ana Teresa! A primeira barbie eu que darei!
A primeira impressão que tive de Barcelona foi a de que seria uma cidade perfeita para se morar, quem sabe no período de um mestrado. A segunda impressão foi a de que seria ótimo fazer o mestrado e o doutorado por lá. E por fim fiquei certo de que ter uma casa para temporadas perto da Las Ramblas seria o ideal... Huiahuahuahuahauhauahuah.
Eu me emocionei muito com Paris, o que não aconteceu com Barcelona, mas nesta eu me senti em casa. Foi como se levassem são Paulo para a Europa, tirassem os paulistas e organizassem o trânsito. Vida o tempo todo com a latinidade muito mais presente. A Av. Las Ramblas estava lotada todas as vezes que a atravessamos, com pedestres dividindo espaço com quiosques e artistas, em uma versão melhorada da Florida, que eu já gostava.
Além disso o metrô foi o mais limpo e bem sinalizado que vi até agora, com a compra de bilhetes feita sem burocracia nenhuma diretamente com o cartão de crédito.
Saí do Brasil com uma curiosidade monstra de conhecer a Espanha. Tudo culpa do Livro 1 do curso de espanhol do Instituto Cervantes, que sempre retratava os espanhóis como um povo festeiro, que adora parar para beber sua cerveja no final do dia. Minha expectativa não foi nem um pouco frustrada e foi exatamente esse clima que senti quando coloquei minha cara na rua.
Não tinha como ser diferente. Uma cidade que produz um artista como Gaudi só podia ter alguma coisa boa. E ele é mesmo O CARA! Posso dizer que parte do meu encantamento com a cidade veio também do fato de ter conhecido melhor as obras dele. A Casa Batlò, La Pedrera, o Parque Guell e A Sagrada Família me deixaram estupefacto como há muito tempo não ficava. Ele devia ser insuportável, pois alguém que é capaz de pensar em cada micro detalhe de suas obras não pode ser muito normal.
A Sagrada Família, além de impressionar pelo tamanho, deixa evidente toda a loucura do cara. Colunas em forma de árvores, porque ele queria que os fiéis se sentissem em uma floresta, em contado com a natureza. Camarotes em onda para o coral ter a acústica perfeita. Cores dos vitrais pensadas para não cegar os fiéis em nenhum momento. Torres da igreja representando os apóstolos, Maria e Jesus, que terá a mais alta quando a obra estiver pronta, etc... No subsolo da Igreja há o ateliê/escritório, com as maquetes e estudos originais de Gaudi, inclusive a cúpula invertida que ele fez para estudar a acústica e a resistência perfeita. Enfim, o cara era um gênio.
Igualmente impressionante foi a Casa Batlò, projetada para uma família rica. Um prédio de apartamentos todo inspirado no fundo do mar e da natureza, com detalhes igualmente impressionantes. O corrimão da escada remete à espinha dorsal de um dragão, que teria sido abatido por São Jorge. As janelas diminuem de tamanho conforme se aproximam do topo, pois é mais fácil capitar a luz nos andares mais altos. Todas as paredes remetem às escamas de peixe e etc... O que poderia ser um show de horrores virou uma obra de arte. Pronto! Não só quero morar em Barcelona. Quero morar na casa Batlò, pode?
O Parque Guell também tem o carimbo do Gaudi. O famoso lagarto de azulejos cortados é horroroso. Não vou mentir. Mesmo assim ele fez milagres em um espaço público. Transformando as casinhas do parque em casas de faz de conta. As fotos não me deixam mentir.
Enfim, o cara deu vida e um novo valor para toda uma cidade. Não foi à toa.
Visto de perto os detalhes de Barcelona, fomos para uma perspectiva mais afastada. Ficamos viciados nisso após Paris e Roma. Queríamos ver a cidade de cima. Primeiro do MontJuirc, um antigo forte que se tornou um ponto turístico badalado, e depois de Tibidabo, o ponto mais alto de Barcelona.
Ir a Tibidabo foi fantástico!!! Primeiro se pega um metrô, depois um Tranvia Blau, depois um Funicular. Aí se chega em Tibidabo, que tem um parque de diversões na frente e uma igreja com um Cristo em cima. Entra-se então na Igreja, que dá acesso ao cristo. Sobe-se de elevador até um mirante. Depois sobe-se alguns degraus de uma escada de pedra para chegar-se ao topo. E depois mais alguns degraus de madeira para chegar aos pés do Cristo. Se nos metrôs de Londres me senti chegando perto do inferno, ontem me senti pertinho do céu. A vista é lindíssima e foi muito bom ver de cima a minha cidade!!! :)
Já estava apaixonado pela cidade, mas ainda faltava me apaixonar pelo estilo de vida deles... Bom, já simpatizo com o fato de ser um povo que acorda tarde, dorme depois do almoço e prefere trabalhar à noite. Além disso tem a história da cervejinha no final do expediente. Como se precisasse de mais alguma coisa, eles curtem a cidade no grau máximo, o que pode ser visto nas ruas e praças mais movimentadas. A Plaça Catalunya é um ótimo exemplo. Um quarteirão inteiro com alguns monumentos e muita gente. Poucos turistas. Muitos casais e a tchurma alternativa, curtindo os últimos dias de calor das mais diversas formas.
É verdade! Vale um registro que estamos tendo muita sorte. Pegamos um pouquinho de frio em Londres e Paris. De resto, sol... Muito sol!!!!
Esse estilo ficou claro também quando fomos ao porto e em frente à estátua do Colombo apontando ao Novo Mundo vááááários casais assistiam ao pôr do sol e à coreografia de uns alegres turistas japoneses. Olha! Eu não tenho o direito de ser preconceituoso, mas se eu tivesse algum preconceito, seria contra japonês. Até a alegria deles é engraçada. Tinha um grupinho de uma meia dúzia de cinco ou seis dançando e cantando uma música esquisita. Passinho pra frente, passinho pra trás. Se fossem brasileiros alguém estaria gritando: “Explode coração na maior felicidade...”, com uma morena bonita sambando na frente!
Posso falar???? Amei Barcelona e quero voltar logo. Já ouvi isso antes!
Lindo, vamos passar um tempinho por aqui??? Seria incrível andarmos juntinhos por essas ruas! Aqui vi váááários casais gays de mãos dadas! Quero isso com vc!
Falta pouco agora... ÊÊÊÊÊÊÊÊÊ
Vale!!!
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