E Madrid foi realmente a cidade que mais poderia ter sido...Mas não foi!
Desde já aviso que esse relato será curto. Curtíssimo. Na nona cidade dessa loucura toda a bateria pifou e gastamos muito mais tempo no hostel do que rodando pela cidade. Para falar bem a verdade, os poucos bordejos que demos foi mais pela obrigação de fazer valer os nossos euros do que pela vontade de sair da cama.
Acho que alguns fatores nos ajudaram a já chegar em Madrid de má vontade e dispostos a ficarmos na horizontal:
1) No nosso último dia em Barcelona ficamos até tarde no hostel conversando com a “garotada”. E em boa parte do discurso eles ficaram dizendo que não havia muito o que se fazer em Madrid e que 2 dias em Lisboa era realmente muito pouco. Essa conversa avançou a madrugada e teríamos de partir de Barcelona às 6 da manhã. Resultado: Chegamos em Madrid já com o sono em atraso.
2) Essa mesma conversa nos fez chegar em Madrid mais preocupados em tentar trocar a passagem para aproveitarmos 4 dias em Lisboa do que em curtir a cidade onde estávamos. O primeiro dos 3 dias que ficamos aqui gastamos quase todo com a troca de passagem e com a procura de um hotel em Lisboa, já que o nosso não tinha vaga para os dois dias anteriores. Por fim foi ótimo. Cancelamos o hostel e ficaremos em um hotelzinho mais responsável em Lisboa. Merecemos.
3) Tivemos excelentes referências de Madrid, mas todas com relação à noite. Ao que parece, a noite aqui é animal, mas honestamente não estamos nem um pouco com vontade de conhecer a noite. Sair para sensualizar, como diria o Cássio, não está mesmo fazendo parte do roteiro.
4) Por fim, já estamos no 29º dia de viagem e o cansaço tinha de bater à porta. Preferimos carregar as baterias em Madrid para aproveitarmos mais a terrinha.
Bom, ainda que toda essa introdução pareça uma justificativa, para dois moribundos, até que conseguimos fazer alguma coisa.
Nosso hostel, como de costume, ficava super bem localizado, a poucos metros da Plaza Puerta del Sol e Plaza Mayor, as duas principais de Madrid. Nesse hostel não tivemos contato com quase ninguém, pois nosso quarto era privativo. Melhor dizendo, tivemos contato só na hora do banho, pois apesar de o quarto ser separado, o banheiro era compartilhado entre homens e mulheres. E enquanto tomávamos banho a água do “amigo(a)” do lado escorria para a nossa cabine. Apesar de ser um pouco íntimo, acho que não posso classificar isso como amizade.
O primeiro dia foi basicamente para deixar a bagagem no hostel, antecipar a ida a Lisboa, ir ao El Corte Inglês para comprar cuecas e voltar para o hostel para curtir a cama. Antes de me jogar na cama precisava comer alguma coisa, e seguimos à risca as dicas do Coronel Ponce: Procuramos um bom restaurante à beira da Calle Montera. Ele falou das comidas, mas esqueceu de mencionar as companhias. Subindo a rua encontramos à direita vimos vários restaurante (ruins) e à esquerda várias mulheres de vida nem um pouco fácil. Isso às 16 horas e com o sol rachando. Nos disseram depois que de acordo com a noite caindo a maquiagem vai ficando mais carregada, mas que elas estão sempre ali. Bom, prostituição eu já tinha visto antes, mas lá elas simplesmente tentam te arrastar pelo braço. Descaramento!
Agora, da cama do hostel eu posso falar bastante. Era macia macia, assim como o edredom, tando que acordamos no dia seguinte às 13 horas. Tomamos nossos banhos, porque não é porque sou mochileiro que virei porco, e fomos almoçar. Nosso almoço terminou às 16 hs. Só tínhamos tempo e disposição para entrarmos naqueles ônibus de turismo para darmos um “alô” para Madrid. E assim foi feito. Voltamos para o hostel com a promessa de descansarmos só um pouquinho para irmos a um show de dança flamenca. Óbvio que acordamos às 23 horas e apenas deu tempo de comermos um sanduba embaixo do hotel. Back to bed.
O no nosso último dia (hoje), já revigorados e com um pouquinho mais de vida no corpo, exploramos Madrid na medida que o tempo permitia. E não é que a cidade é bem simpática, gente???
Eu não me arrependo de nenhum segundinho sequer que passei embaixo daquele edredom macio, mas tenho que dar o braço a torcer e admitir que, se viesse pra cá com outra proposta, poderia ter sido o ponto alto (ou um deles) da viagem.
Em um dia apenas foram muitas exclamações de encanto. Começou com uma visita guiada pelo Museu do Prado. Nesse ponto da viagem já estou com os pacová um pouco lotados de museu, mas as explicações “despasiadas” do guia prenderam a minha atenção, e adorei saber um pouco mais sobre El Greco, Velasquez e Goya, que são as estrelas do museu. Esse tal de Velasquez pintou o quadro “As Meninas” em XXXX (só lembro que foi 1800 e alguma coisa) e é impressionante como uma pintura daquela época parece ter sido feita em 3D.
Depois do museu fomos ao recomendado Parque do Retiro. É fato. Por essas bandas eles sabem fazer um parque se tornar um ponto turístico. Tudo incrivelmente bem cuidado e limpo, com monumentos espalhados por todos os lados. No parque, um cantinho específico me deixou com vontade de voltar. Na Praça da República de Panamá, em frente a um monumento lindo que não sei exatamente o que retrata há um lago maravilhoso, onde váááááários casais alugam seus barcos a remo para curtir o sol. Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!!! Parece cena de comédia romântica. Não há um coração bruto sequer que não amoleça com aquela imagem. Para completar, um trio tocava “estrangers in the night” em violino. Nem preciso dizer que fui longe, né? E a volta no parque terminou com a visão do Palácio de Cristal, todo de vidro, com uma fonte linda na frente e casais apaixonados em volta. Claro!
Saindo do Parque fomos à Plaza de Toros. Já que não vimos a dança flamenca, que víssemos ao menos a arena onde judiam dos bichinhos... Mas estava fechada. Graças! Nos restringimos a tirar algumas fotos.
Continuando a gincana “Conheça Madrid em 1 Dia”, fomos correndo para os Jardins do Palácio Real. Jardim Japonês! Casais apaixonados dormindo profundamente, pais com filhos fazendo a lição de casa na grama, grupo de amigos fazendo pic-nic, e tudo no coração de Madrid. Nesse jardim uma ideia me veio forte. Há bancos gigantes de mármore, próprio para duas pessoas. De pronto me ocorreu a imagem de duas pessoas deitadas ao contrário, com as cabeças alinhadas, a jogar conversa fora e fazer planos para o futuro. Acho que a cidade começou a me atingir ali. Ou já teria sido no lago do Parque do Retiro????
Dali seguimos para a Plaza da Espanã, com sua estátua em homenagem a Cervantes e seu Dom Quixote, com o inseparável Sancho Pança. Estava rolando uma feirinha para bicho grilo similar à feira da Torre de TV. Tirando isso, a praça é um charme.
Bom, hora de dar tchau. Não nos restavam mais do que alguns minutos e tínhamos de correr ao hotel para jogar tudo dentro das mochilas e seguir à estação de trem.
Assim como ocorreu em Roma, demorei a captar Madrid, mas ao contrário de Roma, quando consegui já era tarde demais. O ideal seria se tivéssemos mais um diazinho para ficar de bobeira na Puerta del Sol às 19 hs e ver a bagunça daquela tchurma mais uma vez.
Nos despedimos de Madrid no meio desse ritual. Mochilas nas costas, a Rê arrastando uma mala de tralhas que ela conseguiu juntar no caminho, e a Puerta del Sol lotada de músicos, artistas, jovens universitários, velhinhos vendo toda a confusão... Essa muvuca divertida me deixou com vontade de ficar um pouco mais. Ficará para uma próxima viagem, um pouco mais curta e com uma proposta completamente diferente. Honestamente, agora estou muito mais preocupado com Lisboa!!!
Vale!!!!
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