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sexta-feira, 1 de julho de 2011

Dia comum...

Amor meu, hoje não é nenhuma data especial. Você está no aniversário da Déa e eu estou em casa, com preguiça de ir para a festinha do Mikko ou da amiga da Rê. É isso, lindo!

Não paro de pensar que estamos tão acostumados em ficarmos só nós dois que estou com preguiça do resto do mundo. Não podemos ser assim, né? Acontece que é tão bom. Essa foi uma semana comum, com alguns grande acontecimentos, mas uma semana comum. Mesmo assim foi incrível... Nós dois nos amando em casa, no tapete, na cama da suíte!

Lindo, de vez em quando eu tenho a nítida sensação de que não digo o suficiente o quanto te amo! Perdão! Você merece ouvir isso segundo a segundo, porque consegue ser o homem mais carinhoso do mundo. O mais atencioso, o mais preocupado, o mais companheiro, o mais lindo e, por isso tudo, o mais amado!

Mesmo quando eu não disser, lembre-se disso! O MAIS AMADO!!!

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

E foi isso que achei de Lisboa...

Lisboa é suja, pobre e fedida... Adorei!!!

A verdade é que em diversos momentos me senti no centro do Rio de Janeiro e em casa (Não que a minha casa seja suja e fedida). Já na primeira ida à rua tivemos de pegar o metrô e uma coisa ficou evidente: Lisboa é feita de gente como a gente. Quer dizer, nós somos como eles, né? Engraçado, mas conforme fomos nos aproximando da costa a latinidade ficou mais evidente. Desde Barcelona começamos a ter a sensação de pertencimento, e em Lisboa foi o ápice.

Antes de mais nada, o Coronel Ponce estava completamente certo. A melhor coisa que fizemos foi trocar dois dias em Madrid por dois dias em Barcelona. Fizemos questão de explorar cada cantinho e seguir cada dica dada. Com isso Lisboa foi a cereja do bolo em uma viagem aproveitada ao máximo.

Percorremos todas as praças e registramos todos os monumentos. Ali tinha não só a história de Lisboa. Era o Brasil que estávamos conhecendo um pouco mais. Tando que a principal praça da cidade é a Praça Don Pedro IV, o nosso D. Pedro I, homenageado por ter outorgado a carta constitucional em 26. Foi uma delícia ter lido 1808 antes dessa viagem e já ver tudo com outros olhos.

E não só pela história a identificação é imediata. Foi um alívio terminar a viagem em uma “ilha” de portugueses cercada de povo das mais diversas línguas por todos os lados. Estávamos na Europa, mas ouvindo a língua mãe e até falando gírias. Bom demais!

Para registro, seguimos as dicas e visitamos todos os pontos turísticos: Praça dos Restauradores, Praça D. Pedro IV, Praça do Comércio, Torre de Belém, Monumento aos Descobrimentos, Monastério dos Jerônimos, Elevador de Santa Justa, Largo do Carmo, Catedral da Sé, Igreja de Santo Antônio, Praça do Marquês de Pombal, Castelo de São Jorge e tivemos até tempo para darmos uma pinta em Sintra, em Cascais e no Cabo da Roca, o ponto mais a Ocidente da Europa.

Mais importante do que falar de cada um deles é ressaltar o que mais me impressionou. Bom, em Belém, além de ter conhecido a Torre e o Monumento aos Descobrimentos, à beira do Rio Tejo, eu consegui me apaixonar perdidamente por Portugal. E três vezes. Cada Pastel de Belém devorado foi uma paixão suscitada a mais por Portugal. Não é a toa que o danado é tão famoso e imitado. Quentinho, crocante por fora e deliciosamente cremoso por dentro, com um creme no ponto exato que um creme deve ter. Minha alma de gordo foi aos céus ali! O lugar, Pastéis de Belém, tem como entrada uma portinha que engana. Tivemos a ideia de que entraríamos em uma loja com os seus 30 metros quadrados no máximo. Ledo engano. A fama do Pastel fez o dono rico. Nunca entrei em uma confeitaria (pastelaria) tão grande e labiríntica (estou chocado por existir esta palavra no editor de texto!).

Do Castelo de São Jorge cumprimos o que parecia ser uma regra na nossa viagem. Vimos a cidade de cima e conseguimos ali reconhecer todos os pontos já visitados à pé. E que vista...

Um ponto alto também foi a ida à Catedral da Sé. Não por mim, mas pela minha mãe. Vimos ali a pia batismal onde Santo Antônio foi batizado. Fomos também à Igreja de Santo Antônio, onde ele nasceu e viveu. Pudemos ali conhecer o seu antigo quarto, também visitado por um (outro) ilustre visitante, o Papa João Paulo II. Nem preciso dizer que mais importante do que estar ali era imaginar a alegria da minha mãe quando eu contasse. Fiz uma prece pela minha família, que está para crescer, e agradeci por todas as graças que tenho recebido, afinal, nunca precisei colocar o pobre santo de castigo no congelador.

Estávamos tão tranquilos que nos demos ao luxo de no último dia irmos a Sintra, onde estão o Palácio da Pina e o Palácio Nacional de Sintra. Esse último, honestamente, achei bem sem graça, mas o primeiro é muito interessante. Um louco com o meu nome, o Rei Fernando II, com medo de a Revolução Industrial acabar com o mundo, teve a brilhante ideia de construir um castelo que misturasse todas as culturas e referências. Pense em um samba do afro descendente excepcional! Mas é sem dúvida um passeio bem interessante! Além do Palácio da Pina, ainda em Sintra, a Quinta da Regaleira me deixou boquiaberto. Um megamilionário maçom, sem mais o que fazer com o dinheiro, resolveu construir um Palácio no meio da cidade. A obra demorou 15 anos e ele apenas pôde viver 8 anos ali. Apesar de toda a loucura, o palácio, a catedral e o jardim ficaram lindíssimos. Depois fomos para o Cabo da Roca e ficamos o mais perto possível do Brasil enquanto na Europa. Por fim passamos de ônibus em Cascais, que é a cidade de praia dos milionários portugueses. Digna! Quero uma casa lá também!

Tão gostoso quanto conhecer esses lugares foi conviver com os portugueses. O povo é engraçado e pronto! Aliás, descobrimos a origem do “pronto” tão falado em Recife. Veio de além mar, pois em Lisboa o “pronto” é tão usado quando o “Vale” na Espanha e o “Prego” na Itália. Conhecemos toda a sorte de lusitanos, dos mais divertidos aos mais sisudos. Só há uma regra: Eles não param de falar.

Na noite de sábado queríamos assistir a um show de fado, mas não sabíamos se o hotel tinha conseguido fazer nossa reserva. Pegamos um taxi no El Corte Inglês e rodamos a cidade atrás de uma casa de fado com disponibilidade de mesa. Não conseguimos entrar em lugar algum, mas foram uns dos quarenta minutos, e quinze euros, mais divertidos da viagem. A Rê se emocionou por lembrar do seu avô e eu me senti dentro de uma piada... O Seu Arlindo Sena, o taxista, era uma simpatia, mas simplesmente não deixava ninguém falar. Figuraça!!! Ele queria nos levar para uma casa tradicional e saltava do carro para ver se alguém poderia nos receber. Uma graça! E quando voltava ao carro com a resposta negativa, disparava novamente! No dia seguinte o taxista que nos levou ao Clube do Fado fez EXATAMENTE A MESMA COISA!

Honestamente... Não sei se consigo descrever Lisboa. Não é uma cidade extraordinária em sua arquitetura, como outras visitadas nessa jornada. Também não é tão limpa, sem dúvida. Posso dizer que foi o lugar onde me senti menos seguro, com certeza. Apesar de tudo isso, o que senti em Lisboa foi diferente. E foi essa a sensação que me ocorreu quando alguém na rua passou cantando “É uma casa portuguesa, com certeza”, com o sotaque do Vô Antônio...

Tudo terminou com uma noite ao som do Fado, cantando Lisboa e o amor em vozes lindas, nada mais adequado!

Voltaria milhões de vezes, e pronto!

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Amor, meu grande amor...

Lindo, queria tanto terminar esse blog com algo bombastico, mas nao consigo. Primeiro, porque nao tem inspiracao que sobreviva a esse teclado indomado. Segundo, porque sao 4:15 e nao preguei o olho um segundo sequer, o que compromete um pouquinho a minha criatividade ja limitada.

Bom, o que posso te dizer eh que antes de escrever um pouquinho pra vc estava aqui vendo alguns apartamentos no wimoveis e imaginando a nossa proxima casa. Voce bem sabe que eu mudarei primeiro, mas deixaremos a casa com a nossa cara, pois ali comecara a nossa vida sob o mesmo teto. FATO!!!! Esse pensamento tem rondado minha cabeca com tanta frequencia que tenho que realiza-lo o mais rapido possivel, ate para conseguir pensar em outra coisa.

Como pode? Eu jah tenho a planta da casa na minha cabeca. Jah tenho tantas ideias para discutir com vc... E isso pq ainda nem vendi o meu apartamento. Comprei um balao para pendurar no teto que foi o xodo da minha viagem. Simplesmente nao quero coloca-lo na kit. Quero que ele va direito para a nossa casa nova. Comprei jah pensando nisso.

Lindo, eu te falei brincando, mas eh a mais pura verdade. Rodei 8 países e 10 cidades da Europa e eh oficial: Voce eh o homem mais lindo do mundo. Ponto! Pode usar a faixa se quiser. Por debaixo da burca, claro!

Meus creditos estao acabando, mas preciso te dizer que hoje quando pensei em nos dois uma coisa nao saiu da minha cabeca: Se alguem me perguntar quem inventou o amor agora eu jah sei dizer!

Estou chegando!!!

Beijo na boca, lindo!

Chega de Saudade...

Vai minha tristeza e diz a ele que sem ele nao pode ser.
Diz-lhe numa prece que ele regresse, porque eu nao posso mais sofrer.
Chega de saudade, a realidade e que sem ele nao ha paz, nao ha beleza. E so tristeza e melancolia, que nao sai de mim. Nao sai de mim, nao sai.

Mas se ele voltar, se ele voltar que coisa linda. Que coisa louca!
Pois ha menos peixinhos a nadar no mar, do que os beijinhos que darei na sua boca.
Dentro dos meus bracos, os abracos hao de ser milhoes de abracos.
Apertado assim, colado assim, calado assim. Abracos e beijinhos e carinhos sem ter fim.
Que e pra acabar com esse negocio de voce viver sem mim.
Nao quero mais esse negocio de voce longe de mim...

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

E foi isso que achei de Madrid...

E Madrid foi realmente a cidade que mais poderia ter sido...Mas não foi!

Desde já aviso que esse relato será curto. Curtíssimo. Na nona cidade dessa loucura toda a bateria pifou e gastamos muito mais tempo no hostel do que rodando pela cidade. Para falar bem a verdade, os poucos bordejos que demos foi mais pela obrigação de fazer valer os nossos euros do que pela vontade de sair da cama.

Acho que alguns fatores nos ajudaram a já chegar em Madrid de má vontade e dispostos a ficarmos na horizontal:

1) No nosso último dia em Barcelona ficamos até tarde no hostel conversando com a “garotada”. E em boa parte do discurso eles ficaram dizendo que não havia muito o que se fazer em Madrid e que 2 dias em Lisboa era realmente muito pouco. Essa conversa avançou a madrugada e teríamos de partir de Barcelona às 6 da manhã. Resultado: Chegamos em Madrid já com o sono em atraso.

2) Essa mesma conversa nos fez chegar em Madrid mais preocupados em tentar trocar a passagem para aproveitarmos 4 dias em Lisboa do que em curtir a cidade onde estávamos. O primeiro dos 3 dias que ficamos aqui gastamos quase todo com a troca de passagem e com a procura de um hotel em Lisboa, já que o nosso não tinha vaga para os dois dias anteriores. Por fim foi ótimo. Cancelamos o hostel e ficaremos em um hotelzinho mais responsável em Lisboa. Merecemos.

3) Tivemos excelentes referências de Madrid, mas todas com relação à noite. Ao que parece, a noite aqui é animal, mas honestamente não estamos nem um pouco com vontade de conhecer a noite. Sair para sensualizar, como diria o Cássio, não está mesmo fazendo parte do roteiro.

4) Por fim, já estamos no 29º dia de viagem e o cansaço tinha de bater à porta. Preferimos carregar as baterias em Madrid para aproveitarmos mais a terrinha.

Bom, ainda que toda essa introdução pareça uma justificativa, para dois moribundos, até que conseguimos fazer alguma coisa.

Nosso hostel, como de costume, ficava super bem localizado, a poucos metros da Plaza Puerta del Sol e Plaza Mayor, as duas principais de Madrid. Nesse hostel não tivemos contato com quase ninguém, pois nosso quarto era privativo. Melhor dizendo, tivemos contato só na hora do banho, pois apesar de o quarto ser separado, o banheiro era compartilhado entre homens e mulheres. E enquanto tomávamos banho a água do “amigo(a)” do lado escorria para a nossa cabine. Apesar de ser um pouco íntimo, acho que não posso classificar isso como amizade.

O primeiro dia foi basicamente para deixar a bagagem no hostel, antecipar a ida a Lisboa, ir ao El Corte Inglês para comprar cuecas e voltar para o hostel para curtir a cama. Antes de me jogar na cama precisava comer alguma coisa, e seguimos à risca as dicas do Coronel Ponce: Procuramos um bom restaurante à beira da Calle Montera. Ele falou das comidas, mas esqueceu de mencionar as companhias. Subindo a rua encontramos à direita vimos vários restaurante (ruins) e à esquerda várias mulheres de vida nem um pouco fácil. Isso às 16 horas e com o sol rachando. Nos disseram depois que de acordo com a noite caindo a maquiagem vai ficando mais carregada, mas que elas estão sempre ali. Bom, prostituição eu já tinha visto antes, mas lá elas simplesmente tentam te arrastar pelo braço. Descaramento!

Agora, da cama do hostel eu posso falar bastante. Era macia macia, assim como o edredom, tando que acordamos no dia seguinte às 13 horas. Tomamos nossos banhos, porque não é porque sou mochileiro que virei porco, e fomos almoçar. Nosso almoço terminou às 16 hs. Só tínhamos tempo e disposição para entrarmos naqueles ônibus de turismo para darmos um “alô” para Madrid. E assim foi feito. Voltamos para o hostel com a promessa de descansarmos só um pouquinho para irmos a um show de dança flamenca. Óbvio que acordamos às 23 horas e apenas deu tempo de comermos um sanduba embaixo do hotel. Back to bed.

O no nosso último dia (hoje), já revigorados e com um pouquinho mais de vida no corpo, exploramos Madrid na medida que o tempo permitia. E não é que a cidade é bem simpática, gente???

Eu não me arrependo de nenhum segundinho sequer que passei embaixo daquele edredom macio, mas tenho que dar o braço a torcer e admitir que, se viesse pra cá com outra proposta, poderia ter sido o ponto alto (ou um deles) da viagem.

Em um dia apenas foram muitas exclamações de encanto. Começou com uma visita guiada pelo Museu do Prado. Nesse ponto da viagem já estou com os pacová um pouco lotados de museu, mas as explicações “despasiadas” do guia prenderam a minha atenção, e adorei saber um pouco mais sobre El Greco, Velasquez e Goya, que são as estrelas do museu. Esse tal de Velasquez pintou o quadro “As Meninas” em XXXX (só lembro que foi 1800 e alguma coisa) e é impressionante como uma pintura daquela época parece ter sido feita em 3D.

Depois do museu fomos ao recomendado Parque do Retiro. É fato. Por essas bandas eles sabem fazer um parque se tornar um ponto turístico. Tudo incrivelmente bem cuidado e limpo, com monumentos espalhados por todos os lados. No parque, um cantinho específico me deixou com vontade de voltar. Na Praça da República de Panamá, em frente a um monumento lindo que não sei exatamente o que retrata há um lago maravilhoso, onde váááááários casais alugam seus barcos a remo para curtir o sol. Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!!! Parece cena de comédia romântica. Não há um coração bruto sequer que não amoleça com aquela imagem. Para completar, um trio tocava “estrangers in the night” em violino. Nem preciso dizer que fui longe, né? E a volta no parque terminou com a visão do Palácio de Cristal, todo de vidro, com uma fonte linda na frente e casais apaixonados em volta. Claro!

Saindo do Parque fomos à Plaza de Toros. Já que não vimos a dança flamenca, que víssemos ao menos a arena onde judiam dos bichinhos... Mas estava fechada. Graças! Nos restringimos a tirar algumas fotos.

Continuando a gincana “Conheça Madrid em 1 Dia”, fomos correndo para os Jardins do Palácio Real. Jardim Japonês! Casais apaixonados dormindo profundamente, pais com filhos fazendo a lição de casa na grama, grupo de amigos fazendo pic-nic, e tudo no coração de Madrid. Nesse jardim uma ideia me veio forte. Há bancos gigantes de mármore, próprio para duas pessoas. De pronto me ocorreu a imagem de duas pessoas deitadas ao contrário, com as cabeças alinhadas, a jogar conversa fora e fazer planos para o futuro. Acho que a cidade começou a me atingir ali. Ou já teria sido no lago do Parque do Retiro????

Dali seguimos para a Plaza da Espanã, com sua estátua em homenagem a Cervantes e seu Dom Quixote, com o inseparável Sancho Pança. Estava rolando uma feirinha para bicho grilo similar à feira da Torre de TV. Tirando isso, a praça é um charme.

Bom, hora de dar tchau. Não nos restavam mais do que alguns minutos e tínhamos de correr ao hotel para jogar tudo dentro das mochilas e seguir à estação de trem.

Assim como ocorreu em Roma, demorei a captar Madrid, mas ao contrário de Roma, quando consegui já era tarde demais. O ideal seria se tivéssemos mais um diazinho para ficar de bobeira na Puerta del Sol às 19 hs e ver a bagunça daquela tchurma mais uma vez.

Nos despedimos de Madrid no meio desse ritual. Mochilas nas costas, a Rê arrastando uma mala de tralhas que ela conseguiu juntar no caminho, e a Puerta del Sol lotada de músicos, artistas, jovens universitários, velhinhos vendo toda a confusão... Essa muvuca divertida me deixou com vontade de ficar um pouco mais. Ficará para uma próxima viagem, um pouco mais curta e com uma proposta completamente diferente. Honestamente, agora estou muito mais preocupado com Lisboa!!!

Vale!!!!

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

E foi isso que achei de Barcelona...

Barceloooooooona... Tem uma música que foi usada para as Olimpíadas de Barcelona. Eu não tenho a menor ideia da letra, pois mesmo tendo o CD eu só ouvia “amigos para siempre”. Lembro apenas que ela começava com um grito de tenor, cantando forte o nome da cidade. E esse grito não saiu da minha cabeça durante os três dias que passei em Barcelona.

Mais uma vez a escolha do hostel foi perfeita, tanto em relação à localização quanto em relação à acomodação. O nome Chic and Basic foi seguido à risca. O hostel é limpíssimo, todo branquinho, com uma cozinha coletiva que lembra muito o estilo da minha casa (ao menos o estilo que eu gostaria que minha casa tivesse). O melhor: na cozinha coletiva tinha uma geladeira laranja completamente abastecida com frutas, queijo, presunto, iogurte, leite, sucos, manteiga, etc... Além disso havia pão, bolo e uma torradeira na cozinha. E podíamos nos servir à vontade. Isso nos poupou muitos euros de café da manhã e proporcionou boas conversas com a “garotada” do hostel.

Essa “garotada” é fantástica. Dois jovens casais de cerca de 55 anos. Ambos de Brasília. Nos conhecemos logo no primeiro dia e ficamos trocando dicas de cidades nos dois dias restantes. Vagner e Rosa e Vani e Cel. Ponce. Graças ao Vagner fizemos um dos melhores passeios em Barcelona, o Tibidabo. Na volta desse passeio, na nossa última noite, sentamos para lanchar na cozinha e encontramos o Cel. Ponce, que simplesmente fez todo o roteiro da nossa viagem para Madrid e Lisboa. Só no final da conversa ele comentou que TINHA UM LIVRO PUBLICADO DE COMO FAZER TURISMO BARATO EM LISBOA. Foi muita sorte! Ou azar, dependendo do ponto de vista. Ele falou tanto de Lisboa que ficamos com vontade de nem passar mais por Madrid e ficarmos uma semana inteira em Lisboa. Veremos... Mas foi incrível mesmo. Trocamos contatos e devemos nos corresponder. Esse livro eu quero autografado para uma próxima viagem a Lisboa, agora com todos aqueles que amo...

O banheiro do quarto merece registro. Na verdade não era bem um banheiro no nosso conceito. A pia ficava ao lado da cama. Parece que usa muito isso na Europa. E o chuveiro fica junto com a privada. Não que exista um outro cômodo no quarto. De um lado da cama fica a pia e do outro um grande box, ABERTO EM CIMA, com chuveiro e privada. Olha. Se existia qualquer resquício de privacidade entre mim e a Rê, morreu ali. Sem notarmos já estávamos conversando enquanto um dos dois fazia xixi. O número 2 exigia um pedido de retirada do outro. Não há amizade que supere esse trauma.

Escatologias a parte, o hostel é mesmo muito bom e recomendo!

Vamos falar de coisa boa??? Em Barcelona tive também uma das maiores alegrias da minha vida: Fui chamado para ser padrinho da criança mais amada do mundo, a Ana Teresa. Esse nome é lindo!!! Fiquei feliz e honrado com o convite de uma forma nunca vista na história desse país. E quero ser o padrinho mais presente do mundo. Terei agora de me planejar para ir a Juiz de Fora uma vez por mês a partir de janeiro... E que venha a Ana Teresa! A primeira barbie eu que darei!

A primeira impressão que tive de Barcelona foi a de que seria uma cidade perfeita para se morar, quem sabe no período de um mestrado. A segunda impressão foi a de que seria ótimo fazer o mestrado e o doutorado por lá. E por fim fiquei certo de que ter uma casa para temporadas perto da Las Ramblas seria o ideal... Huiahuahuahuahauhauahuah.

Eu me emocionei muito com Paris, o que não aconteceu com Barcelona, mas nesta eu me senti em casa. Foi como se levassem são Paulo para a Europa, tirassem os paulistas e organizassem o trânsito. Vida o tempo todo com a latinidade muito mais presente. A Av. Las Ramblas estava lotada todas as vezes que a atravessamos, com pedestres dividindo espaço com quiosques e artistas, em uma versão melhorada da Florida, que eu já gostava.

Além disso o metrô foi o mais limpo e bem sinalizado que vi até agora, com a compra de bilhetes feita sem burocracia nenhuma diretamente com o cartão de crédito.

Saí do Brasil com uma curiosidade monstra de conhecer a Espanha. Tudo culpa do Livro 1 do curso de espanhol do Instituto Cervantes, que sempre retratava os espanhóis como um povo festeiro, que adora parar para beber sua cerveja no final do dia. Minha expectativa não foi nem um pouco frustrada e foi exatamente esse clima que senti quando coloquei minha cara na rua.

Não tinha como ser diferente. Uma cidade que produz um artista como Gaudi só podia ter alguma coisa boa. E ele é mesmo O CARA! Posso dizer que parte do meu encantamento com a cidade veio também do fato de ter conhecido melhor as obras dele. A Casa Batlò, La Pedrera, o Parque Guell e A Sagrada Família me deixaram estupefacto como há muito tempo não ficava. Ele devia ser insuportável, pois alguém que é capaz de pensar em cada micro detalhe de suas obras não pode ser muito normal.

A Sagrada Família, além de impressionar pelo tamanho, deixa evidente toda a loucura do cara. Colunas em forma de árvores, porque ele queria que os fiéis se sentissem em uma floresta, em contado com a natureza. Camarotes em onda para o coral ter a acústica perfeita. Cores dos vitrais pensadas para não cegar os fiéis em nenhum momento. Torres da igreja representando os apóstolos, Maria e Jesus, que terá a mais alta quando a obra estiver pronta, etc... No subsolo da Igreja há o ateliê/escritório, com as maquetes e estudos originais de Gaudi, inclusive a cúpula invertida que ele fez para estudar a acústica e a resistência perfeita. Enfim, o cara era um gênio.

Igualmente impressionante foi a Casa Batlò, projetada para uma família rica. Um prédio de apartamentos todo inspirado no fundo do mar e da natureza, com detalhes igualmente impressionantes. O corrimão da escada remete à espinha dorsal de um dragão, que teria sido abatido por São Jorge. As janelas diminuem de tamanho conforme se aproximam do topo, pois é mais fácil capitar a luz nos andares mais altos. Todas as paredes remetem às escamas de peixe e etc... O que poderia ser um show de horrores virou uma obra de arte. Pronto! Não só quero morar em Barcelona. Quero morar na casa Batlò, pode?

O Parque Guell também tem o carimbo do Gaudi. O famoso lagarto de azulejos cortados é horroroso. Não vou mentir. Mesmo assim ele fez milagres em um espaço público. Transformando as casinhas do parque em casas de faz de conta. As fotos não me deixam mentir.

Enfim, o cara deu vida e um novo valor para toda uma cidade. Não foi à toa.

Visto de perto os detalhes de Barcelona, fomos para uma perspectiva mais afastada. Ficamos viciados nisso após Paris e Roma. Queríamos ver a cidade de cima. Primeiro do MontJuirc, um antigo forte que se tornou um ponto turístico badalado, e depois de Tibidabo, o ponto mais alto de Barcelona.

Ir a Tibidabo foi fantástico!!! Primeiro se pega um metrô, depois um Tranvia Blau, depois um Funicular. Aí se chega em Tibidabo, que tem um parque de diversões na frente e uma igreja com um Cristo em cima. Entra-se então na Igreja, que dá acesso ao cristo. Sobe-se de elevador até um mirante. Depois sobe-se alguns degraus de uma escada de pedra para chegar-se ao topo. E depois mais alguns degraus de madeira para chegar aos pés do Cristo. Se nos metrôs de Londres me senti chegando perto do inferno, ontem me senti pertinho do céu. A vista é lindíssima e foi muito bom ver de cima a minha cidade!!! :)

Já estava apaixonado pela cidade, mas ainda faltava me apaixonar pelo estilo de vida deles... Bom, já simpatizo com o fato de ser um povo que acorda tarde, dorme depois do almoço e prefere trabalhar à noite. Além disso tem a história da cervejinha no final do expediente. Como se precisasse de mais alguma coisa, eles curtem a cidade no grau máximo, o que pode ser visto nas ruas e praças mais movimentadas. A Plaça Catalunya é um ótimo exemplo. Um quarteirão inteiro com alguns monumentos e muita gente. Poucos turistas. Muitos casais e a tchurma alternativa, curtindo os últimos dias de calor das mais diversas formas.

É verdade! Vale um registro que estamos tendo muita sorte. Pegamos um pouquinho de frio em Londres e Paris. De resto, sol... Muito sol!!!!

Esse estilo ficou claro também quando fomos ao porto e em frente à estátua do Colombo apontando ao Novo Mundo vááááários casais assistiam ao pôr do sol e à coreografia de uns alegres turistas japoneses. Olha! Eu não tenho o direito de ser preconceituoso, mas se eu tivesse algum preconceito, seria contra japonês. Até a alegria deles é engraçada. Tinha um grupinho de uma meia dúzia de cinco ou seis dançando e cantando uma música esquisita. Passinho pra frente, passinho pra trás. Se fossem brasileiros alguém estaria gritando: “Explode coração na maior felicidade...”, com uma morena bonita sambando na frente!

Posso falar???? Amei Barcelona e quero voltar logo. Já ouvi isso antes!

Lindo, vamos passar um tempinho por aqui??? Seria incrível andarmos juntinhos por essas ruas! Aqui vi váááários casais gays de mãos dadas! Quero isso com vc!

Falta pouco agora... ÊÊÊÊÊÊÊÊÊ

Vale!!!

domingo, 3 de outubro de 2010

E foi isso que achei de Roma...

Lindo da minha vida,

Tenho que ir dormir para conseguir acordar amanhã e pegar o trem para Madrid, mas antes queria te passar a impressão que tive de Roma.

Esses últimos dias estão bem difíceis porque a saudade está maltratando, mas pensar que daqui a uma semana eu matarei toda essa saudade me traz tranquilidade. Você é o amor da minha vida e em Roma, naquele exato momento que te liguei, estar apaixonado por vc deixou tudo em volta muito mais bonito. Espere por mim!!!

Vamos a Roma...

Antes de mais nada, uma coisa muito engraçada que começou a acontecer em Roma foi a confusão de idiomas que passamos a fazer. Se alguém nos perguntava em inglês, respondíamos em francês. Se falassem francês, respondíamos em espanhol. Se falavam em italiano, a resposta vinha em inglês. E com as poucas palavras que conhecemos desses idiomas fizemos todas as combinações possíveis. Enlouquecemos Roma, certamente!

Nossa passagem por Roma foi sem dúvida alguma uma das etapas mais, digamos, interessantes da viagem. Não vou mais comparar cidades, porque sempre acabo me contradizendo, mas até agora Roma foi a que mais deu o que falar. Posso afirmar sem dúvida alguma que fui me apaixonando aos poucos por Roma e saí com vontade de ter mais tempo para aproveitar a sensação boa que só aconteceu no último dia. Talvez tenha sido mais culpa nossa do que da pobre cidade, pois não nos planejamos muito e acabamos perdendo tempo no que não interessava.

Bom, não poderíamos ter feito muito diferente também. Eu cheguei ligeiramente prejudicado, ainda caminhando com ajuda de muletas, e a Rê com um resfriado pesado. Nossos corpos já estavam pedindo socorro.

Por isso mesmo no primeiro dia nos limitamos a rodar por Trastevere e aproveitar uma boa comida Italiana. Foi a massa mais gostosa que eu comi enquanto estive em Roma. Mais uma vez um Carbonara, que já havia comido em Veneza e pediria mais uma vez em um restaurante sujo ao lado do hotel. O do Trastevere foi o melhor. Com certeza o tempero do prato levava um pouco da irreverência do dono, que pendurou na porta uma placa “we are against war and turist menu”. Ainda que sem o tal menu para turista, percebemos já na primeira refeição que comeríamos melhor e gastaríamos muito menos do que em Paris. Aproveitamos para conhecer a Igreja Santa Maria de Trastevere, que, confesso, só vimos por fora, pois a Rê começou a piorar e precisávamos correr para o hostel.

O hostel, Alessandro Downtown, nos deu algumas experiências legais também. Nosso primeiro quarto dividimos com um cara da Áustria. Perguntei o nome umas três vezes, mas sou incapaz de repetir. Ele foi uma companhia muito bacana, tanto que no nosso último dia neste quarto marcamos um encontro em uma das fontes da Piazza Navona, que acabou não acontecendo porque ainda estávamos nos recuperando (eu do pé e a Rê da gripe). Bom, ele foi uma companhia quaaaaase perfeita, com exceção do peido que ele deu durante a noite, que, sério, nos acordou! Deus do céu! O que era aquilo! Era praticamente um grito de agonia.

Na troca de quarto, agora com banheiro, conhecemos outros três mochileiros: um músico, uma menina de Taiwan (Moss) e o Luciano, de Sorocaba. A menina era muito doidinha e curiosa para saber tudo a nosso respeito e sobre o Brasil. Parecia mesmo ser uma ótima companhia, mas só nos encontramos durante uma noite, pois ela deixou o quarto para dar lugar ao tal músico, sujeito de poucas palavras. Um loiro, nem bonito, nem feio, nem sujo, nem limpo, nem simpático, nem antipático. De todos o mais legal mesmo era o Luciano de Sorocaba, que me lembrava vagamento o Didi Mocó dos trapalhões. Pense em um cabra gente boa! A história dele também era bem legal. Noivo, com cerca de 30 anos, e viajando pela primeira vez ao exterior. Após vários anos sem férias juntou dinheiro para fazer um curso de um mês de inglês na Inglaterra e aproveitou para conhecer um pouco melhor a Europa.

E não só pelas companhias o hostel merece ser comentado. O pessoal realmente estava preparado e disposto a receber o turista. Eles nos quebraram muitos galhos, principalmente quando a Rê começou a passar mal. Já preocupado por termos de voltar a hospital procurei o pessoal da recepção, que prontamente nos encaminhou à farmácia, informando que em Roma os farmacêuticos têm formação complexa a ponto de substituir o médico para casos mais simples. Dito e feito. O remédio receitado foi suficiente para a Rê melhorar em 2 dias.

A localização do hostel também facilitou e muito a nossa vida, pois ficava a apenas alguns passos da estação de metrô Termini, ponto de partida e chegada de quase todos as rotas de Roma. Isso foi muito útil no dia em que precisamos pegar o ônibus de turismo do tipo “stop and go”, que utilizamos no dia após a nossa chegada, assim como na chegada e partida da cidade, pois o nosso trem de Veneza parou NA estação e o trem para o aeroporto Fiumicino saía DA estação. Ou seja, perfeito!

Ou melhor, quase! O banheiro era bem nojentinho e a internet grátis falhava quase sempre. Nota 8,5 para o hostel.

Justamente por ser próximo à estação de trem e apenas termos ido de ônibus a Trastevere, nossa primeira impressão de Roma foi ruim. Uma cidade suja com um povo grosso. Foi difícil enxergar graça e poesia naquilo que estávamos vendo. Logo de cara presenciamos umas 3 brigas entre vendedores e clientes, o que voltaria a ocorrer durante os outros dias. Na região do hostel, a sujeira no meio da rua e a cara de boca do lixo também tiraram um pouco o romantismo da cidade. Ainda que Trastevere tenha mostrado um pouco seu charme, fomos dormir frustrados por não termos visto a Roma dos filmes de Felini.

Nosso segundo dia acabou comprometido pelas enfermidades e ficamos realmente limitados. Como alternativa para que aproveitássemos o dia, ainda que ainda convalescentes, tivemos de pegar o tal ônibus de turismo. Não foi de todo ruim. Roma começou a mostrar sua cara e conhecemos o colossal Coliseu e as ruínas do Forum Romano. Também corri o risco e coloquei minha mão na boca da verdade. Saí ileso. Na mesma caminhada conhecermos o Capidoglio, com uma gigantesca estátua de Marco Antônio, e ficamos impressionados com a grandiosidade do Monumento a Vitório Emanuele. É realmente de cair o queixo. A beleza é incontestável em todos os detalhes. Estamos só nós aqui e não preciso mentir: Foi o monumento que mais me impressionou. (Depois fiquei envergonhado por ter pensado assim, e você entenderá mais adiante).

Cansados, pé doente e narizes escorrendo, voltamos para o hotel para mais uma noite de remédios e sono, em busca da recuperação para encararmos o Vaticano no dia seguinte. Amém! Sabe que eu acho que Ele ouviu nossas preces? Acordamos realmente melhores e dispostos a conhecer cada cantinho da Basílica de San Pietro.

Para a nossa “sorte” era quarta-feira, dia da benção do papa. O vimos a alguns muitos metros nos momentos finais da benção. Essa foi a parte boa. A parte ruim: Por ser o dia da benção TODOS OS CANTOS DO VATICANO ESTAVAM SIMPLESMENTE INTRANSITÁVEIS. 40 minutos para irmos ao banheiro e mais de uma hora na fila para entrarmos no Museu do Vaticano. Me senti na fila do brinquedo mais concorrido da Disney, com várias crianças correndo atrás do seu guia. A diferença é que no lugar de crianças colocaram japoneses com máquinas fotográficas.

Persistimos e tentamos conhecer tudo, mas foi mesmo o maior programa de índio até agora. Acho até que foi uma penitência por alguma arte que fiz no passado. Ou será que fiquei com crédito??? Enfim... Eu só sei que quando finalmente cheguei à Capela Sistina não havia mais fôlego para nada. Ou melhor, não havia mais ar para ninguém. Tanto que uma senhora que estava imprensada entre dois grupos de japoneses acabou por desmaiar... Se para entrar foi difícil, para sair foi muito mais. Os seguranças estavam represando a multidão para evitar confusão, mas acabaram por manter todos presos na minúscula capela.

O pior é que acho mesmo que foi azar, pois no dia seguinte o Luciano comentou que não pegou fila e nem confusão alguma :/

Tentando salvar o dia, corremos para a Fontana de Trevi, que é linda, mas parecia uma cachoeira de japoneses, o que também me deixou um pouco frustrado. Coisas de viagem. Não se pode ganhar todas. No mesmo dia mandei um e-mail para um amigo que tinha morado 4 anos em Roma pedindo dicas para o meu último dia, pois não havia a possibilidade de eu sair de Roma com aquele sentimento.

DITO E FEITO. E a partir daqui tudo o que eu disse sobre Roma pode ser desconsiderado. O melhor dia da viagem nós passamos em Roma, com ajuda da sorte, do clima, das dicas e de um taxista fantástico que nos permitiu aproveitar até o último filete de sol.

Tudo começou já no café da manhã. Seguindo a sugestão da Thaís, fomos ao Panella, um café/padaria delicioso, que já demonstrava que o dia seria diferente. De lá seguimos para a Igreja de San Giovanni, que é sem dúvida e igreja mais linda que já entrei na vida (agora posso dizer que é a igreja acabada mais linda, pois a Sagrada Família de Barcelona lidera o hanking das inacabadas). E foi a primeira vez em Roma que fiquei boquiaberto com a suntuosidade de uma Igreja. Pensei muito na minha mãe, pois tenho certeza que ela se emocionaria ao ver os apóstolos esculpidos em mármore nas laterais da Igreja. O altar também era magnífico. Sem falar que não tinha a muvuda do dia anterior. Pude, pela primeira vez em Roma, acender uma vela e fazer uma oração pelos meus. E meu amor por Roma aumentou um pouco.

Depois fomos para outra Igreja, a Santa Maria Margiori, que não me impressionou tanto porque ainda estava com a San Giovanni Luterano na cabeça. Dali seguimos para conhecer a Piazza de Spagna. Não foi nem de longe o ponto alto da cidade, mas amei ver todos em volta da praça curtindo uma quinta-feira ensolarada com jeito de sábado. Jovens, trabalhadores, turistas, locais, idosos... Todos sentados em tornos de uma fonte pequena simplesmente vendo a vida passar. Acho que ali comecei a captar um pouco da alma da cidade.

A fome já estava batendo e teríamos mesmo de arriscar um restaurante. Fomos em um próximo à praça. Um tal de “DuBar”. BINGO!!! Foi o primeiro filé macio que comi na Europa. Caro, mas macio.

Sem maiores detalhes, para tentar abreviar um pouco o relato, passamos nesse dia também pela Piazza Del Popolo, que estava se preparando para receber algum evento que não poderíamos prestigiar por conta da nossa partida. Fomos também à Igreja Santo Ignácio de Loiolla, que tem umas pinturas lindíssimas no teto, e no Panteon, que não me emocionou tanto. Seguimos novamente para a Fontana de Trevi, na esperança de metade dos japoneses terem ido embora. Doce ilusão. Ainda não seria desta vez que a cena de “La Dolce Vita” seria revivida na minha memória.

Foi então que virei para a Renata e fiz a proposta indecorosa de pegarmos um táxi para conhecermos nos últimos minutos restantes de sol todos os pontos turísticos fora do roteiro, que nos haviam sido indicados pela Thaís. Topado... E o dia que estava ótimo ficou PERFEITO!!!

Santo Jonny!!! Esse é o nome do taxista que pegamos e que foi o melhor de todos os guias! Pedimos para ele nos levar na Fonte Acqua Paola, que a Thaís tinha dito ser a melhor vista de Roma. Ele se negou, pois disse que a melhor vista de roma estaria no monumento a Garibalde, um pouco mais acima. E ELE ESTAVA ABSOLUTAMENTE CERTO! Ficamos boquiabertos com a beleza do lugar. Pense em um lugar romântico! Fiquei com muita vontade de estar lá com você, com um vinho e com uma noite quente para gastar falando besteiras. Quero voltar lá contigo e rápido!!!

E meu amor por Roma cresceu um pouco mais.

A Thaís também falou que se fôssemos até a Piazza Cavalieri de Malta, déssemos a volta no castelo e olhássemos pelo buraco da fechadura, teríamos uma surpresa. Pois o Jonny nos levou até o Portão... que estava escancarado e estragou completamente a surpresa. Mesmo assim o porteiro nos contou o segredo. Olhando pelo buraquinho da fechadura apareceria a cruz do topo da Basílica San. Pietro, do Vaticano.

Cumprido todo o roteiro, o Jonny nos levou para a Piazza Navonna, passando pelo tal monumento que antes eu havia achado o mais lindo de toda a viagem. Ele disse logo que aquele monumento era a vergonha dos que vivem em Roma, pois teria sido construído pelo seu último rei, e que era a memória viva de um período fascista. Disse mais. Disse também que ficava incomodado porque os americanos sempre o achavam magnífico, pois estavam mais preocupados com a estética do que com a história, sendo que a verdadeira beleza tinha ficado escondida atrás daquele prédio: o coliseo e o fórum romano. Essa sim seria a verdadeira história a ser lembrada com orgulho por Roma. Óbvio que eu fingi que nem tinha reparado no gigantesco prédio antes.

Chegamos então na Piazza Navona. A noite já tinha caído. As três fontes da praça estavam iluminadas a ponto de deixar a água com um azul cristalino perfeito. Não havia uma nuvem sequer no céu. E um violeiro dedilhava músicas italianas clássicas. Chorei de por estar ali e agradeci por todo o amor que recebi e pude dar nessa vida. Ser e estar apaixonado fez diferença ali. Tudo pareceu ser lindo e definitivamente entendi Roma. Entendi tudo o que falam.

A cereja do bolo foi o jantar de despedida. Acatamos a dica dada pelo Saulo e pelo Romero e fomos a um restaurante bem próximo à Piazza Navona. Osteria Del Vecchio, salvo engano. Um casal gay na faixa dos 50 e poucos transformou uma casa pequena em um restaurante muito charmoso, com comida italiana típica e um tiramisú irretocável! Ali decidi que quero fazer isso quando me aposentar. Pode ser em Pirenópolis também! Só sei que ver aquele casal trabalhando junto em Roma me deu a impressão de que juntos eles enfrentariam qualquer problema. Fiquei com vontade de fazer isso com vc! Já imaginou!!!

E assim me despedi de Roma: Apaixonado pela vida e pela cidade, ciente de que existem diversas variações de carbonara entre o delicioso e o péssimo, com vontade de voltar o mais rápido possível e de saco cheio de ser chamado de prego!

E que venha Barcelona!

Prego!

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

E foi isso que achei de Veneza...

Esse certamente será o relato mais curto, sem graça e menos empolgante de todos, pois das 24 horas que passei em Veneza, umas 15 gastei dentro do hotel. Acho que porque quis fazer valer cada um dos 180 euros que torrei na diária.

Esse esbanjamento não foi porque o encosto de um milionário baixou em mim. Na véspera da viagem a Veneza a Thaís, que estava hospedada no Adam, passou algumas dicas e disse que a localização do hotel que havíamos reservado de Brasília tornava impossível a nossa chegada na estação às 6 da manhã, hora que partiria o trem para Roma.

Por sorte, na ida para Veneza, perdemos a parada do trem e tivemos de descer na parada seguinte, que era a mesma de onde partiria nosso trem para Roma. Com isso procuramos o hotel mais próximo da estação e tudo ficou resolvido. Sem falar que eu ainda estava andando de muletas e com uma mochila de aproximadamente uns 20 kg. No final das contas foi tudo de bom. Só depois descobrimos que o hotel é de uma rede chiquééééééérrima aqui da Itália. Phyno! Com ´PH´!

Antes de falar um pouco (bem pouco) da cidade, compensa registrar uma pequena saia justa que passamos no trem a caminho de Veneza. Compramos um vagão com camas, pois as 14 horas de viagem tinham de passar como um sonho. Chegando ao vagão, localizamos as nossas camas. Seriam as duas camas debaixo. As outras duas, as de cima, já estavam ocupadas, pois já haviam colocado duas malas na cabine. Nos acomodamos nas camas debaixo e começamos a conversar. Meia hora depois de o trem ter partido um casal francês entrou na cabine. O inglês deles era tão bom quanto o meu francês, o que tornou qualquer tipo de comunicação inviável. Ele pegou o celular e ligou para alguém da companhia de trem. O que entendemos era que ele estava reclamando, pois havia alguém (nós) no vagão dele e da esposa. O rapaz da empresa prontamente chegou ao vagão e, pelo que entendemos, deu uma boa de uma enquadrada nele, que estava errado desde o começo. Com isso o casal francês ficou constrangido e voltou para o vagão restaurante até a hora de dormir. No dia seguinte acordamos os quatro no mesmo vagão, mas eles já estavam suuuuper simpáticos. Curioso como uma vergonhazinha educa um francês!!!

Colocamos nossas malas no hotel e fiz um pequeno tour na cidade, só para provar que estive por lá. Não pude mesmo abusar, e fiquei com um gostinho de quero mais. Tudo na cidade é voltado para os casais apaixonados. Gôndolas, ponte dos suspiros, máscaras de pierrôs e colombinas, casal de noivos em pleno canal beijando apaixonadamente sobre a gôndola. Não há como não entrar no clima.

Esse tira-gosto de Veneza que tive me causou uma boa impressão. E é difícil ser diferente. Eu não conheço nenhum outro lugar no mundo que esteja prestes a afundar. Quando eu ouvia isso imaginava que falavam de décadas, mas certamente não passará de poucos anos. Fiquei chocado quando estava passeando pela Praça Central, de San Marco, salvo engano, e tivemos de burlar uma poça gigantesca que simplesmente impedia a passagem. Observei que todas as pequenas ruas mantêm no cantinho uma espécie de andaime que deve ser desvirado e utilizado na caso de o nível da água subir e inviabilizar a caminhada. Incrível. Ainda mais chocante foi ouvir de relance que aquela água acumulada no meio da praça central não era àgua represada da chuva, mas sim água que brotava do chão, pois a cidade efetivamente está no nível do mar.

Não pensar nisso e se ater apenas à beleza da cidade me fez viajar um pouco e imaginar quão mágica é a cidade. Essa magia é imposta também pelas máscaras que riem para você em todas as ruas percorridas à pé. Eu não trouxe uma pra mim, por conta do peso e do transtorno que seria carregar uma máscara de uns 60 centímetros E UMA MOCHILA DE 20 QUILOS, mas eu perdi muitos minutos admirando o trabalho, que é delicado e lindíssimo. Por algum tempo cultivarei o arrependimento de não ter comprado uma máscara preta que vi. Ficarei com a foto como recordação. E se a cidade não afundar antes, voltarei para buscá-la.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Eu preciso dizer que te amo!!!!


Lindo da minha vida,

Esse aqui é só pra você. Tem a ver com a viagem, mas só com o efeito que ela tem me causado. Estou no trem, a caminho de Veneza. Devo ficar de molho por lá por conta do pé, mas não estou nem achando ruim. Assim poderei mexer nas fotos, me recuperar para o resto da viagem e, com sorte, falar contigo com calma...

Lindo, sinto tanto a sua falta que de vez em quando sinto vontade de chorar. Acho que estou aproveitando, de verdade, mas todos esses passeios fariam mais sentido com você ao lado. Esse é o pensamento mais constante. Isso sem falar que você é a companhia perfeita. Acho que faria uma viagem de 40 dias contigo sem brigar um dia sequer. Aliás, quero fazer uma viagem de uma vida inteira contigo... Brigando muito de vez em quando.

Por aqui tenho pensado demais em duas coisas ou planos nossos. De vez em quando me pego com a cabeça na nossa viagem de Buenos Aires e também na mudança de casa.

Eu gosto tanto de Buenos Aires que já fico pensando nos restaurantes que quero te levar, nos passeios que quero fazer, nas nossas manhãs de amor na cama do flat, nos sorvetes maravilhosos de sobremesa... VAI SER TUDO!

Já a mudança da casa envolve muito mais... Sei que será só um passo, mas um passo muito importante para um futuro que quero construir com você. Lindo, essa viagem me provou o que eu já sabia. Sou louco por você. Sinto saudades do carinho, do sorriso, da pele, dos beijos e do sexo... Ah!!!! Não posso pensar nisso que me animo. Sério! Sei que você tem que passar por algumas coisas dentro de casa primeiro, mas quero estar pronto para o momento em que você disser que pode sair da casa dos seus pais. Amor da minha vida, esse momento será seu e jamais o apressarei, mas pensar em você dormindo e acordado ao meu lado todos os dias é a coisa que mais me traz paz.

A gente fala sempre de você, mas a verdade é que também tenho um caminho a percorrer com meus pais. Eles interferem menos na minha vida, mas também tem um peso grande nas minhas decisões, ainda que acabe sempre fazendo o que eu quero.

Bom, mas posso falar??? Meu amor, estou pensando tanto no nosso sexo. Vira e mexe lembro de algumas das nossas transas e fico doido. São Paulo, Rio, Brasília... Tenho várias recordações que me fazem companhia nas homenagens que tenho prestado. Estou segurando para gastar tudo com você, mas é difícil. De vez em quando entro no banheiro e quando penso em alguma das nossas transas já me animo. Aí já era, né, lindo? E você também anda tão safadinho que é difícil não ficar com vontade... Tenho que mudar de assunto, afinal, estou em um trem, com a Rê do lado...

A verdade é que sou seu...

Beijo na boca!

E foi isso que achei de Paris...

Paris...

E eu que pensei que já tivesse visto tudo nesta vida!!! Se duvidava da existência de amor à primeira vista, passei a acreditar com a primeira vista de Paris. Amor à primeira vista. Logo na primeira hora o Adam nos levou para almoçar em um restaurante no terraço do centro Ponpidou. Já a caminho do restaurante, nas escadas rolantes que ficam aparentes fora do centro, tivemos uma vista panorâmica da cidade, de onde fomos apresentados rapidamente à torre, à Notre Dame, ao Montparnasse... E pela primeira vez em toda esta viagem eu tive de segurar as lágrimas para não chorar de emoção.

´Paris je t`aime´ passou a fazer todo o sentido. Não só pelo amor que a cidade desperta por ela, mas pelo amor que transborda dos casais apaixonados daqui. Namorar e dar beijos apaixonados no meio da rua ESTÁ SUPER USANDO EM PARIS! Vi algumas cenas de casais dos mais diversos tipos e gêneros provando que o amor não saiu de moda. E para completar, na última noite da Alessandra, ela contou que tinha visto dois caras tomando champanhe em uma das pontes do Sena. O Adam explicou que existe uma ponte que cruza o Sena só para pedestres, conhecida como a ponte dos namorados, em que muitos casais fazem promessa de amor eterno e trancam um cadeado na ponte, para simbolizar a eternidade do amor... E eu quero fazer isso com vc!!!!!

Não sei nem explicar o porquê de ser tão especial estar em Paris, mas ver essa cidade que muitas vezes foi cenário de histórias românticas mexeu comigo. Agora é fato. Me apaixonei pela Europa.

E foi lá no Terraço do Centro Pompidou mesmo, com a cidade aos nossos pés, que fizemos a nossa primeira refeição em Paris, na companhia da Rê e do Adam Jayme, que faz qualquer história real parecer a mais gostosa e divertida ficção. No mesmo dia conhecemos o Hotel de Ville, prefeitura da cidade e também considerada a construção mais romântica da cidade (continuo preferindo a torre).

E por falar em vista linda, tem duas coisas que ninguém pode falar que não fizermos: andar e ver Paris de cima. Exploramos todas as perspectivas mais lindas da cidade vistas de cima, seja no Terraço do Pompidou, seja na Torre Eiffel, seja no Montparnasse, seja na Cúpula da Sacre Croer, em Montmatre.

A do Terraço foi a que mais me emocionou, por ter sido a primeira. A da Secre Croer a mais ´custosa´, por eu ter tido de enfrentar 300 degraus de escada, já cansado das ladeiras de Montmatre. A do Montparnase a mais educativa, já que pudemos identificar todos os pontos conhecidos da cidade e fixar na cabeça a geografia de Paris. E a da Torre Eiffel... Ah!!! Essa não foi a mais nada, mas simplesmente especial. Fomos abençoados por um dia de sol e sem qualquer fila para a subida. Vimos Paris de cima, como se realmente fosse a primeira vez, e ao mesmo tempo cumprimentando uma velha amiga tão comentada. É como se agora eu pudesse conhecer qualquer lugar do mundo, já que visitei o mais famoso cartão postal do planeta! Coisa assim...

A companhia do Adam tem mesmo esse dom de nos contagiar e todos os nossos jantares foram mágicos. Além do Societé e outro também da rede Costes (Bouburg, ou algo assim – o antigo nome do Pompidou, onde fica o restaurante). O mais incrível foi um jantar no AZ (não lembro o que as letras significam). É um restaurante/lounge que tem sua própria linha de Cds. Fomos na terça-feira, então não havia balada. No lugar da balada havia cantores líricos que de 30 em 30 minutos entravam para cantar músicas de algumas óperas. Essa mistura de música lírica, companhia perfeita e comida deliciosa coroou um dia em que durante a tarde percorremos a Champs Elysee, vimos o Arco do Triunfo, passeamos pelo Jardim das Tuillers e vimos, pela primeira vez, o Museu do Luvre.

Para completar a lista de restaurantes teve ainda um Italiano, que a Berta, amiga do Adam, nos apresentou no último dia de viagem, e um indiano, ao lado da casa do Adam. A comida estava simplesmente divina neste indiano, com exceção da pimenta. Nos esbaldamos nas especiarias. A simpatia do staff era o máximo. O garçom que nos atendeu era tão engraçadinho que não deixava a Rê tirar fotos. Mas não só durante nossa estada lá eles foram bacanas. Quando a Alessandra chegou em Paris eles emprestaram um telefone celular e no nosso último dia ficaram com pena de mim e chamaram um táxi pra mim. Quando viermos a Paris temos de passar por lá...

Ainda no dia em passeamos pela Champs Elysses, conhecemos a Place des Invalides, onde fica o museu das armas e o túmulo do Napoleão e pelo Jardim das Tulliers. Antes tentamos ir ao Museu Rodin, que descobrimos depois já estar fechado, mas ficamos uma boa hora em frente ao museu rindo da primeira gafe parisiense da viagem:

Sentamos no café com planos unicamente de pedirmos uma água, como pretexto para a Rê usar o banheiro. Após uma breve análise no cardápio decidimos comer alguma coisinha por ali mesmo antes de continuarmos a caminhada. A Rê foi ao banheiro e ficou a meu encargo fazer o pedido. Fácil. O garçom chegou e eu rapidamente, com toda a fluência no francês que me é peculiar, pedi um saladinha parisiense. Antes da salada o garçon trouxe uma garrafa de água com dois copos... E a salada começou a demorar. Um pouco antes de a Rê voltar à mesa resolvi cheirar a água, pois estava achando estranha a demora da salada. Bingo, no lugar da minha salada veio um delicioso vinho rosê. De alguma forma inexplicável uma salada parisiense foi compreendida como vinho provance. Culpa do garçom que não deve falar uma palavra de francês!!! Estamos de férias e em Paris! Curtimos o vinho e toda a confusão rendeu boas gargalhadas.

Outra coisa que me chamou a atenção em Paris foi a qualidade do atendimento nos restaurantes, mesmo nos caros. Ou melhor, a baixa qualidade no atendimento. O Adam havia nos alertado no primeiro almoço, e confirmamos. Eles nos atendem na hora que querem. Não adianta abanar a mão ou assoviar. Também difere dos demais países porque a regra é não se esforçar para entender o turista. Você tem que ser muito simpático para receber como retorno um sorriso blasé. Tanto que quando alguma atendente nos dava um sorriso amarelo já falávamos: `Fofa ela, né?`, pois já era demais. Pelo menos uma vantagem no atendimento: também não deixávamos um centavo de gorjeta. Se o costume local é não sorrir, adotamos o costume local nas gorjetas também.

No dia da visita ao Sacre Croer, no walking tour feito em Montmatre, fomos apresentados à Alessandra, uma amiga de uma amiga do Adam, que dividiu o teto com a gente por 2 dias apenas, mas que nos divertiu até. Pense em uma menina doida! Ela não falava uma palavra sequer em inglês ou francês, mas era tão cara de pau que passou menos sufoco do que a gente. Uma das coisas mais engraçadas era ela chamar as pessoas que tinha acabado de conhecer na rua para pedir informação de ´amigo´: `Gente, eu estava no Luvre e conheci um amigo francês que era chef de cozinha. Ele me mostrou fotos das criações dele e eu disse que ele era o picasso da culinária`. Isso tudo sem falar uma palavra sequer em francês.

E foi na companhia da Rê e dessa doidinha que sentei exausto na pracinha de Montmatre, onde os artistas fazem caricaturas e retratos, para pedir um choppinho para relaxar. Dois chopps, uma coca e a conta. Total: 28,80. Sim! Todas as bebidas custavam 9,60. Foi o chopp mais caro que tomei e certamente a coca aguada mais cara que a renata tomou na vida. O garçon ainda teve a cara de pau de nos pedir gorjeta!

Não lembro exatamente a ordem dos dias, mas um dos lugares que mais me impressionou foi o Jardim de Luxemburgo. O conhecemos no mesmo dia da Notre Dame e da Fonte de Sant Michel. Pegamos também um dia de sol, com parisienses a rodo curtindo o sol à beira do chafariz central. Acho que foi nessa hora que o desejo de morar em Paris ficou mais forte. O lugar é lindo é feito para o desfrute dos parisienses. Cadeiras em volta do chafariz, flores impecavelmente cuidadas, gramado para os jovens se sentarem... E foi lá que cumpri minha promessa de pegar meu IPOD e ouvir `How do I Live (without you)` da Trisha Yearwood. Com certeza essa lembrança ficará marcada.

Ficará marcada também a nossa gafe. Conhecido o prédio do senado ficamos zanzando procurando o tal Palácio de Luxemburgo. Só depois descobrimos que eram a mesma coisa.

Acho que colocamos a nossa estrelinha de dever cumprido em todos os pontos turísticos obrigatórios, com exceção da La Chapel e da Praça do Trocadero, que deixamos de conhecer por conta do meu pequeno acidente...

Bom, deixamos para ver os museus no nosso penúltimo dia de viagem, já que a previsão do tempo nos trazia frio e chuva para o dia 24/09. Cumprido o combinado, estávamos prestes a deixar o Luvre, por volta das 20hs. Faltava ainda visitar uma única sala, que o Leonardo do meu trabalho reputava como sendo a mais famosa do Luvre, com o busto de Alexandre, o Grande e estátuas de Hércules e Diana. E foi bem nesta sala mais famosa do Luvre que tomei o maior tombo da minha vida... Estávamos ávidos para encontrar a tal estátua do Hércules, quando de repente vimos uma escultura de um homem com uma leão. Só podia ser... Descemos desatentos a escada... A Renata quase caiu e o: `Nossa! Eu quase caí!´ foi interrompido pelo estrondo da minha queda. Pelo barulho que o meu pé fez e pela dor que estava sentindo poderia jurar que a viagem estava encerrada.

Minha reação primeira foi ter uma crise de riso, que sempre acontece quando estou com muita dor. Tirei os sapatos, a Rê fez uma massagem e seguimos para a casa do Adam, a pé!!! Ele tinha combinado um queijos e vinhos com uns amigos locais e durante algum tempo eu consegui esconder a minha dor... Chegou uma hora que tentei colocar o pé no chão e percebi que não conseguiria sustentar meu peso. Nessa hora tive a nítida sensação de que ia desmaiar e corremos para o hospital.

Infelizmente usei meu seguro saúde! Ficamos quase duas horas no Hospital Americano de Paris, onde fui atendido em português por um médico francês, que disse ter aprendido português com as músicas e não poder mais voltar ao Brasil porque a esposa prefere o Chile e Buenos Aires, tudo isso sob os flashes das máquinas fotográficas da Rê e do Adam, que fizeram questão de registrar o nosso turismo no hospital francês.

Por fim, nada grave, apenas uma torção, ou melhor, duas torções no pé direito. Tratamento: Remédio para a dor e... muletas, que combinam muito pouco com o mochilão que estou carregando.

E assim fechei minha primeira estada em Paris. Agora é só juntar dinheiro para voltar aqui de novo... E que seja breve.

Que venha Veneza!!!

terça-feira, 21 de setembro de 2010

E foi isso que achei de Bruxelas...

Lindo,

Preciso dizer que estou morto de saudades? Estou indo agora para o Jardim de Luxemburgo. Farei o que combinamos e acho que vou chorar por sentir ainda mais a falta que você me faz.

Para manter o costume, contarei um pouquinho agora do que fiz em Bruxelas.

A loucura de Amsterdan ficou para trás e chegamos a Bruxelas. O segundo passeio de trem, nosso primeiro em trem diurno, foi igualmente tranquilo, o que já não podemos falar do nosso impacto inicial na cidade. Aqui se fala francês e holandês, que para mim se parecem muito com o Alemão e com o Japonês, pois NÃO ENTENDO ABSOLUTAMENTE NADA DO QUE ESTÁ ESCRITO NAS MALDITAS PLACAS. Depois de ficarmos algum tempo tentando, sem sucesso, nos comunicar para conseguirmos um mapa resolvi gastar um pouco e ligar para o Durval do meu celular. Em 15 min estávamos na casa dele. Santo táxi!

Quando chegamos na casa do Durval tivemos a certeza de que nossa estada seria exatamente como tinha imaginado: uma pausa necessária com uma companhia perfeita. Ele preparou nosso quarto como quem prepara uma suíte de hotel, com tolhas e mini produtos de toilete na cama e, óbvio, chocolates belgas na mesinha de cabeceira.

Além disso, o Lucas foi buscar pão fresquinho para fazermos um lanche antes de começarmos a explorar a cidade. Comidos, recebemos detalhadamente todas as dicas para aproveitarmos o restinho do dia. Incríveis. Pegaram os dois homens mais educados do Brasil e colocaram juntos em Bruxelas.

Não há muito o que falar da cidade. É uma cidade europeia, linda e limpa, as always, mas sem muita personalidade e monumentos, além de um menino fazendo xixi, de aproximadamente 20 centímetros e uma praça cercada de prédios barrocos, com uma prefeitura disfarçada de catedral (ela me enganou direitinho).

A verdadeira atração foram os doces e chocolates, como não me deixam mentir as fotos. Se Amsterdan cheirava a maconha, Bruxelas cheira a caramelo, graças ao tradicional waffle servido a cada esquina. Tinha a nítida e constante sensação de estar fazendo sempre o mesmo caminho que Maria e João fizeram para chegar na tal casinha de biscoitos. Em todo o caminho havia lojas com doces e chocolates maravilhosos e deliciosos. De todos os lugares e doces perfeitos que comi, dois ficarão na minha memória gustativa por um tempo: o macarron de baunilha e o bombom da confeitaria onde um dia o Lucas trabalhou. Fantásticos mesmo!!!!!]

Como não só de doces vive o homem, provamos também a batata frita, que eles invocam como uma invenção belga.

Além da companhia do Durval e do Lucas, essa etapa foi muito boa para sabermos um pouquinho mais da história desse povo sem identidade, divido entre a holandeses e franceses, o que deixa em cheque a própria manutenção da existência da Bélgica. Essa falta de identidade ficou explícita, inclusive, nos monumentos mostrados pelo Durval, onde ficava clara a existência entra o que a Bélgica poderia ter sido e realmente é...

Fechamos a visita em um restaurante incrível,chamado Le Bank, que funciona dentro de um banco antigo e nossa entradinha foi uma Veuve Cliquot. Chave de ouro para fechar uma paradinha deliciosamente rápida, onde basicamente carregamos as energias.

Que venha Paris...

E foi isso que achei de Amsterdam...

NÃO QUERO MAIS BRINCAR... Estou com muitas saudades. Como você me deixou embarcar, lindo??? Quando eu chegar no 35º dia meu coração terá explodido de tanta saudade. Não é justo. Todos os lugares, praças, músicas, bares, lojas e etc me fazem lembrar você! Estou aqui, mas já com minha cabeça no nosso apartamento, viu?

Acho que a aventura para Amsterdan começou, na verdade, no trem. Pegamos o trem pela primeira vez e nos surpreendemos com o cubículo em que eles enfiam 6 camas (3 triliches). Outra surpresa: mesmo sendo mínimo o espaço, por ser na horizontal é melhor do que qualquer avião. Resultado: dormimos a viagem inteira. Foi uma ótima decisão.

Lindo, se em Berlim as bicicletas e os pedestres convivem em perfeita harmonia, em Amsterdã o trânsito é um caos. Pedestre, bicicletas e carros dividindo os mesmos espaços. Vimos até uma trombada de um bicicleta com um pedestre em que a japa da bicicleta ficou irritadíssima achando que estava com a razão. Eu, realmente, seria incapaz de dizer. A verdade é que uma vez que se aprende que você tem que olhar para os dois lados várias vezes para atravessar a rua, Amsterdã é uma delícia. Pense em uma cidade em festa... Se uma cidade pudesse sair do mapa, fumar um baseado e sair dançando pela rua, ela seria Amsterdam.

Para começar, o nosso hostel ficava no meio do Red Light District, ou seja, ao lado das moças que ficam na vitrine se oferecendo para sexo. Vimos muitas moças horrorosas, mercadoria encalhada, e algumas dignas da Playboy. Em volta muitos homens interessados no programa, mas a maioria interessada apenas em conhecer mais um ponto turístico da cidade. Queríamos registrar isso também, mas fomos expressamente advertidos de que foto não são permitidas, sob pena de as senhoras saírem de suas vitrines e avançarem nas nossas máquinas. Preferimos não arriscar.

Voltando ao hostel... Nossa hospedagem foi mesmo um show a parte. Havia uma balada no térreo, que estava bombando todas as vezes que deixávamos ou chegávamos ao hotel. Festa estranha com gente esquisita, é fato, mesmo assim já nos colocava no clima de Amsterdan nos primeiros minutos do dia. O quarto tinha um carpete e uma cama preta, bem no estilo dos anos 60, e o papel de parede era um mosaico, feito com fotos de mulheres dos mais diferentes tipos. ANIMAL!!! Tivemos um pequeno problema para domar a duchinha, mas quando dominamos o mecanismo chegamos a 100% de satisfação. Sem falar que ainda tinha WiFi para eu poder falar com o meu amor...

Um dos passeios mais legais que fizemos foi a fábrica da Heinecken... Muito bacana! Nem sou tão fã assim da cerveja, mas além de conhecermos a fábrica, ainda entramos em um simulador, onde nós somos a cerveja. Passamos então por todo o processo: Fomos moídos, cozidos, misturados com água, centrifugados, coados, engarrafados e vendidos. A brincadeira acaba em um bar e as pulseiras que ganhamos no começo do passeio se transforma em um vale cervejas. No total bebemos 3 tulipinhas de cerveja e saímos para ver o museu de Van Gogh prontos para achar tudo lindo!

De passeio turístico, além disso fomos ao Museu da Anne Frank, que ficou famosa por escrever um diário, aos 14 anos, durante a perseguição aos judeus. Antes ir para o campo de concentração a família dela ficou presa em casa por 2 anos e esta casa se transformou em um museu muito interessante. Foi comovente ver ao final da exposição um depoimento do pai que falava do diário da filha. Em resumo, ele disse que jamais imaginaria os sonhos e agonias da filha e que no final, a lição que ele tira é que um pai nunca conhece 100% seu filho.

A impressão geral que tive é que Amsterdã é a Porto Seguro deles, com sexo e drogas liberados, desde que você tenha dinheiro para pagar. Tudo te lembra que é uma cidade onde a diversão está em primeiro lugar. O cheiro de maconha toma conta das ruas. No último dia meu estômago já embrulhava só de entrar em um dos famosos Cofee Shops borrifados com bom ar de cannabis. A remessa a Porto Seguro também acontece por conta da idade dos turistas, a maioria entre 18 e 23 anos, aparentemente curtindo a primeiro oportunidade de liberdade total e férias dos pais. Deixemos claro que nunca fui a Porto Seguro.

O clima de liberação também é evidenciado pela quantidade de sex shops e bandeirinhas do arco-íris espalhados. Só perdem para a quantidade de cofee shops mesmo.

Também confirmamos outra impressão já trazida de Berlim. A Europa está em reforma. Não sei se alguém está sacaneando nossa viagem, mas a praça principal de Amsterdan simplesmente estava TODA em reforma, incluindo a catedral/museu, que eram a principal atração. Tudo bem... Não queria ver mesmo!

O que eu queria e consegui fazer foi fumar maconha licitamente na Praça Rembrant! Pronto! Já fiz. Estava muito sem graça de fazer isso no começo. Entrei no bar, olhei no cardápio e quase desisti da ideia quando vi que não havia nenhuma oferta explícita. Esperei a Rê voltar do banheiro para irmos embora, mas ela voltou surpresa com a vitrine de cigarros em frente ao caixa. Bom, mesmo sem ser católico praticante, irei ao Vaticano em Roma. Minha lógica foi essa e... FOI MUITO DOIDO! Por duas horas o mundo foi visto por entre as ondas de som retratadas em Matrix e muitas gargalhadas sem qualquer motivo. Tanto que a volta para o hostel resultou em alguns muitos minutos perdidos, na chuva, pois tinha perdido o mapa, e mesmo assim nos divertimos como se estivéssemos em um show de comédia. Na volta, como dizem, sofri os efeitos colaterais: FOME, FOME E FOME. Tanto que devorei o brownie mais doce da minha vida, com sorvete de amedoin e ainda devorei um pacote de waffer que estava no quarto. Maconha engorda!

Nesse ponto da viagem descobrimos também que a comida típica da Europa é a pimenta mesmo, o que nos fez vicias na cozinha moderna mais famosa do mundo, o McDonalds...

Lindo, foi isso que achei de Amsterdan. Estamos nos falando sempre, mas é bom escrever esse relato para deixar tudo bem vivo na minha memória e dividir todos os momentos com você. Pode ser meio chatinho de ler, mas escrevo com todo carinho para te fazer e me fazer presente...

AMO MAIS DO QUE TUDO!!!

POSSO FALAR???

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

E foi isso que achei de Berlim...

Lindo, simplesmente lindo... Você é tudo na minha vida. É oficial. Estou com overdose de olhos azuis. Quero me embreagar na sua melanina! Eles são bonitos e sem graça... E não têm a sua boca. Como eu posso viver sem você? Só tem uma resposta: EU NÃO POSSO!

Bom... Já estou indo para minha quarta parada, mas quero aproveitar para te contar um pouquinho da experiência em Berlim. Se der, falarei de Amsterdan também, mas acho que chegarei em Bruxelas primeiro. Não vou mais fazer um relato dia a dia, porque fica péssimo para fazer e deve ser um saco ler, mas passarei as principais impressões que tive sobre as cidades, tá????

Berlim é simplesmente incrível. Todos dizem que é a cidade com a noite mais frenética da Europa e que não há nada igual. Bom, fui embora sem conhecer a famosa noite. Mesmo assim saí completamente apaixonado. Não tinha como ser diferente. Logo nos primeiro minutos fomos brindados não só com um sol maravilhoso, digno de Brasil, mas também com a simpatia de um nativo, que nos viu perdidos no metrô e nos ensinou o sistema louco de comprar o ticket e validá-lo. Tá certo que só fomos entender que era para validar antes de embarcar algumas viagens depois, mas que ele foi prestativo foi.

Nosso hotel, o IBIS, não poderia ter sido melhor localizado. Ficava na Potsdamer Platz, no centro da cidade, perto dos museus e com acesso fácil a todo o resto da cidade. No primeiro dia tivemos um pouco de dificuldade de distribuir os programas e fazer um roteiro para a nossa estada. Localizar os nomes EM ALEMÃO em um mapa todo em alemão não foi tarefa fácil. A Renata desistiu. Quando cheguei no quarto ela estava deitada, com dor de cabeça, e assumi a missão. Fiquei algumas boas 3 horas brincando com mapas, guias, dicas, etc., mas valeu à pena. Tivemos 4 dias em Berlim, e podemos dizer que conhecemos a cidade o suficiente para querer voltar quantas vezes seja possível.

É tudo lindo e bem cuidado. Ainda é cedo para dizer, mas essa parece ser a regra por aqui. Nossa primeira parada foi em um museu a céu aberto chamado `Topografia do Terror´. Um antigo quartel general da gestapo, transformado em museu, com um pedaço do muro de Berlim ainda intacto ao fundo. O clima fica logo pesado quando se começa se ter mais contato com a crueldade da perseguição aos judeus, negros e homossexuais, assim como com o sofrimento de um país separado por um muro.

Outros dois pontos nos tocaram bastante também: o ´check point Charlie´, ponto do muro em que era permitida a passagem dos aliados, e o monumento aos judeus.

Em contra partida, em outro pedaço ainda conservado do muro de Berlim, existe uma galeria a céu aberto, a East Side Gallery, em que diversos artista pintaram um muro como forma de registrar seu protesto ou o respeito às vítimas. Uma das pintura mais famosas é a de um carro rompendo um muro. A pintura é famosa pois antes da abertura a marca do carro pintado era a única permitida naquele lado da Alemanha.

Além do banho de história, conhecemos alguns pontos turísticos da cidade, que nem merecem tanta referência assim, como a Torre de TV, que mais parece um imenso pirulito, o famoso relógio com a hora em todo o mundo, que também não me emocionou, o parlamento e o portão de Brandemburgo, talvez o ponto turístico mais fotogrado de Berlim, a Catedral o Europa Center, com seu chafariz e uma obra de arte esquisitíssima que simboliza Berlim, o centro da Europa.

Já tinham nos avisado, mas lá nos conta de que É IMPOSSÍVEL PERCORRER TODOS OS MUSEUS DE BERLIM EM MENOS DE 2 MESES. Como só tínhamos 4 dias tivemos de escolher 2, de acordo com o nosso conhecimento sobre arte e a nossa maturidade. Escolhemos o Alte NationalGaleri e o Museu Erótico. O primeiro é incrível, com esculturas de Rodin e muitos quadros famosos. O segundo é péssimo, mas honestamente acho que nos divertimos mais. Aprendemos muito nos dois. No primeiro sobre arte, no segundo, sobre sexo. É realmente impagável ver no mesmo dia a escultura original do pensador e uma enorme obra com todos os tipos de órgãos sexuais.

A comida típica de berlim merece comentário também. Depois de algumas tentativas chegamos a uma conclusão. A comida típica de Berlim é a pimenta. Eles tentam camuflar isso falando que seria um tal de curryworst (algo assim), mas não é verdade. Em tudo eles colocam pimenta. Tentamos até um wrap no seguro McDonalds. Na primeira mordida ouvimos um: VOCÊ ESTÁ EM BERLIM! Persisti e comi a tal salsicha umas 3 vezes, mas não há mais dúvidas. Prefiro o cachorro quente da 104 Norte disparado.

Outra coisa muito diferente em Berlim é que pedestres e bicicletas convivem em perfeita harmonia. Isso foi completamente novo pra mim. Todas as calçadas estão divididas entre o espaço de pedestre e a ciclovia. Onde não há ciclovia na calçada, há o espaço delimitado na rua. Em Londres vimos muito o povo correndo nas ruas com mochila nas costas indo para o trabalho. Em Berlim a bicicleta era certamente o meio de transporte mais usado. Uma das coisas que não conseguimos fazer foi alugar uma bicicleta para curtir a cidade sobre rodas. A chuva do nosso último dia atrapalhou. Terei que voltar.

Fizemos a cidade inteira a pé nos primeiro dias. Conhecida a cidade de cabo a rabo, passamos a utilizar o metrô, que lá se divide em U (subterrâneo) e S (de superfície).

Lindo, uma coisa que tem me chamado atenção também é que não passamos nenhum perrengue aqui. Tudo correndo muito bem e o inglês servindo para todos os momento. Até agora não ouve um momento sequer em que ficamos sem entender ou sem sermos compreendidos. Com isso estamos tirando o melhor de tudo, eu acho.

Agora, acho que de todos os momentos de Berlim teve um que mais adoramos. Estávamos comendo um BigMac sentados no meio da Rua, próximos à AlexanderPlatz, a rua do pirulito, e começamos a escutar umas músicas ótimas. Quando fomos continuar nossa caminhada descobrimos que a tal música na verdade estava sendo cantada por um cara, embaixo dos trilhos do trem de superfície, apenas com o acompanhamento de um som, que reproduzia a parte instrumental das músicas. O cara tinha uma voz perfeita e a voz dele se propagava sem quaquer ajuda de microfone. Sem falar que a seleção estava perfeita. Poderíamos ter ficado ali o dia inteiro. Foi sem dúvida um dos momentos mais mágicos da viagem.

Foi isso, lindo. Estou morrendo de saudades agora e não posso lembrar de você que tenho vontade de chorar de saudades. Espero estar conseguindo me fazer presente, mesmo tão longe (distante nunca!).

Em breve escreverei sobre Amsterdan, que foi outra descoberta fantástica...

Amo você!!!!

terça-feira, 14 de setembro de 2010

E foi isso que achei de Londres...

Amor da minha vida daqui até a eternidade,

Continuarei na tentativa de alimentar esse blog de tempos em tempos para me sentir mais pertinho de você e deixar claro que você faz parte de todos os meus segundos, comigo perto ou do outro lado do mundo.

Já estou quase saindo de Berlim, mas queria falar com você sobre a impressão que tive de Londres. Depois escreverei outro post sobre esses dias em Berlim, tá?

A viagem foi tranqüila demais até Londres. Conexão no Rio e em Madrid. Estava esperando algum contratempo, mas nada deu errado. Conseguimos até admirar um pouco o aeroporto de Madrid e fazer algumas poucas comprinhas por lá. Posso ficar mais uns anos sem comprar um perfume sequer. Chegamos em Londres no final da tarde de segunda-feira com apenas alguns minutos de atraso.

Start.

Honestamente, de aventura mesmo teve pouco. Com a companhia do Cássio, do Leandro, do Gustavo, do Eduardo e do Rafael, e também com o português escutado em cada esquina, nos sentimos em Brasólia. Sério mesmo. Se não fosse pela umidade do ar, em diversos momentos teria me enganado de que estava no Quitinete com os meninos do Itamaraty.

O caminho para a casa do Cássio foi facílimo. No aeroporto mesmo seguimos as indicações para o underground e rapidinho estávamos na Lancaster Station, a 10 min de caminhada da casa do Cássio. Só não fomos completamente independentes porque pedimos uma informaçãozinha antes de entrar no metrô. Mesmo assim não teve mistério algum. No caminho da estação para a casa do Cássio começou o nosso encantamento com a cidade. De esquina em esquina um `eu moraria aqui` era falado, ora por mim, ora pela Rê.

Logo nessa primeira caminhada nos deparamos com coisas que tirariam exclamações por todos os dias. O trânsito louco, com o qual não nos acostumamos até o último dia. Não raro eu tinha que puxar a rê ou ela tinha que me puxar para conseguirmos atravessar sem maiores acidentes. Depois de um tempo reparamos que nas rua havia escrito ´look left´ ou ´look right´ para chamar atenção dos desavisados. Consequência ou causa desse caos, também estranhamos o volante do lado direito do carro. Muitas vezes olhávamos para o carona e tínhamos a nítida sensação de que o carro estava no piloto automático.

A arquitetura da cidade e as casinhas no melhor estilo ´Bridget Jones´ ou ´Um Lugar Chamado Nothing Hill´ nos ajudaram a entrar no clima londrino. Em 10 minutos de caminhada já nos sentíamos locais... Huhauahuahauhauahuah.

Esperamos o Cássio chegar em casa em um pubzinho tipicamente londrino, daqueles que fica lotado aos finais de expediente. Um tal de Victoria, que acabou se tornando um ponto de referência nas caminhadas sem fim pela cidade. Ali aprendemos que nos pubs tudo tem que ser pedido no balcão. Isso após alguns minutinhos de espera na mesa pelo garçom. Feita a nossa primeira refeição, nosso anfitrião chegou e fomos conhecer nossa casa londrina.

Mais uma boa surpresa. O Cássio mora em um apartamento fofo fofo fofo, de duas suítes, um quarto de televisão e uma sala de visitas. Preparou o nosso sofá cama, nos deu a chave de casa e falou: ´virem-se´! Ele foi perfeito. Nos emprestou um celular com crédito e cartões do metrô, também carregados. Existe isso?

O primeiro dia já estava perdido e fomos encontrar o Leandro e o Gustavo na loja da Apple (a maior do mundo), para depois comermos em um restaurante super gostosinho. MERECE DESTAQUE QUE FOMOS NOS FAMOSOS TAXIS PRETOS DE LONDRES. Huhuahauhauha. No nosso primeiro dia usamos o metrô e o famoso taxi preto. Fomos dormir já com a sensação de dever cumprido.

No dia seguinte acordamos tarde demais. Acho que estou desencanando dessa coisa de madrugar para correr o dia inteiro. Estou de férias afinal. A Rê estava desesperada de fome e pedimos ao Cássio uma indicação de padaria. Bom, não encontramos uma padaria propriamente, mas um café, que salvo engano se chama Conaugh Cofee, na rua de mesmo nome. Nada demais. Capuccino e Panini com queijo, o que foi suficiente para nos fazer voltar TODOS OS DIAS PELA MANHÃ. Que pão delicioso!!!! Um pãozinho super macio, com queijo derretido, orégano e um pouco de pimenta de cheiro. Acho que a dona colocou alguma droga ali dentro, pois viciamos muito rápido. Por falar nela, a dona era uma simpatia. Nos recebia com um sorriso todos os dias e no últimos até nos deu dicas: ´tomem cuidado em Amsterdam´.

Bucho cheio, fomos à primeira atração turística: Madame Toussau. Fotos com celebridades de cera. Realmente o ser humano é muito bobo. E eu sigo essa regra, CLARO! Chega uma hora que você fica de saco cheio, mas gostei de tirar fotos olhando os peitos da Britney e batendo na cara da Amy. Aí nos deparamos com o terror do que tem sido a nossa viagem até agora: lojas de lembrancinhas. Elas são de deixar qualquer um doido. Tudo o que você pode imaginar, mas com o nome londres. Não sei qual é a parte do cérebro que essas lojinhas afetam, mas com certeza elas ligam um dispositivo que fica desligado no Brasil. Tem sido um sacrifício lembrar que tenho apenas uma mochila e que NÃO POSSO CARREGAR MAIS NADA, SOB PENA DE FICAR IGUAL AO CORCUNDA DE NOTRE DAME.

De lá fomos encontrar com o Rafael, na Oxfor Street, que acabou se tornando o lugar mais conhecido de Londres por nós. Encontrar com ele matou um pouco da saudade que estava sentindo, Sem falar que ele foi atencioso ao extremo e nos fez rir por todos os instantes em que ficou com a gente. Nessa Oxford paramos novamente na Apple, e a Rê resistiu bravamente à propaganda que o Rafa fez do Ipad. Depois fomos andar pela cidade e nos deparamos com o Piccadily Circus, um cruzamento de ruas que termina em um praça com um chafariz lotado de gente de todos os tipos possíveis e com luzes e cartazes em neon para todos os lado. Um lugar que te diz: ´Lembre-se! Você está em uma das maiores cidades do mundo´.

De lá fomos conhecer o Soho, o bairro gay de Londres. Era terça-feira à tarde, mas deu para sentir como o lugar deve ficar durante o final de semana. Um bairro inteiro com a bandeira do arco-íris pendurada em todas as portas. Muitos bares, boates e restaurantes. Acho que hoje, muito mais do que um bairro gay, virou um bairro boêmio. E foi ali mesmo que, por 10 libras, eu tosei meu cabelo. Nos despedimos do Rafael e fomos, eu e a Rê, conhecer o Big Ben e a London Eye. Indo para a o Big Ben nos deparamos com muitos, mas muitos, monumentos que não fazíamos a menor noção do que eram. Assim como prédios públicos maravilhosos, que não tínhamos ideia do que significavam. Nos prometemos então que no dia seguinte faríamos um city tour em um ônibus da cidade.

Chegamos no famoso relógio. O prédio é realmente impressionante. Muitas tentativas depois, conseguimos a foto perfeita (Mentira. As fotos ficaram horríveis) e fomos para a London Eye. O passeio dura cerca de meia hora e compensa as várias libras gastas. Demos sorte. Pegamos o finalzinho da tarde e uma companhia inusitada: um casal formado por uma brasileira e um italiano beeeem mais velho que ela. Curiosamente a brasileira, de Fortaleza, que saiu de sua cidade pela primeira vez, estava maravilhada com Londres e disse que aqui ficaria por 6 meses, graças a um convite do marido, recém amarrado. Uma das passagens mais engraçada desse encontro foi quando ela disse que estava impressionada com a quantidade de pessoas diferentes na cidade e que ela já tinha tirado muita foto daquelas mulheres só com os olhinhos de fora. Hilário!

No caminho para casa o Leandro ligou e fomos direto nos encontrar para jantarmos no Soho. Um hambúrguer bem mais ou menos, que ficou um pouco mais gostoso pelas histórias fantasiosas contadas pelo Leandro como se fossem a mais pura realidade. As boas histórias também compensaram o péssimo humor da garçonete. Na volta percorremos novamente a Oxford Street de cabo a rabo.

Completamente muídos, chegamos em casa e fomos rápido para a cama.

Mais um dia em Londres. Panini quentinho com queijo derretido e pernas para que te quero... Ao menos essa era a intenção, mas a chuva nos impediu. Pegamos o ônibus que tínhamos programado ainda com ´sol´. Passamos pelos mesmos lugares vistos no dia anterior, agora com legenda, e saltamos na Picadilly Circus, com intento de comprarmos ingressos para o musical Priscila. Infelizmente, justo nesta semana, não haveria apresentação.

De volta ao ônibus, após algum tempinho perdidos procurando o ponto, continuamos o tour por Londres. Foi a nossa sorte, porque a chuva castigou e não conseguiríamos fazer mais nada além disso. Paramos novamente no Palácio de Buncking, na esperança de sermos logo recebidos pela rainha, mas as visitações estavam encerradas aquele dia, e já passava das 7 horas. Frustrados, voltamos ao Cássio para nos arrumarmos para um jantarzinho em Nothing Hill.

Finalmente encontramos com o Eduardo em um restaurante delicioso, na Portobelo Street de Nothing Hill. O lugar se chama first floor e é todo decorado com castiçais e velas derretidas. Os meninos disseram que a decoração do banheiro era de dar medo, mas eu não careci de ir lá não... Foi muito bom jantar com os meninos. O Eduardo organizou todo o final da nossa estada em Londres e determinou todos os pontos que deveríamos conhecer. E assim fizermos.

Novo dia. Roteirinho feito pelo Eduardo em mãos, fomos conhecer o que ainda faltava. Antes fizemos a reserva para conhecer o Palácio de Bunckinghan por dentro no dia seguinte. Começamos pela Catedral de St. Paul. LINDA! Consegui até tirar uma foto por dentro escondido. Depois fomos andando para o Tate Modern, passando pela London Bridge, de onde tivemos uma vista linda da Tower Bridge. Honestamente, não gostamos muito do Tate Modern. Muito conceito para minha cabeça, que os intelectuais não me ouçam. Ouso até dizer que gostei muito mais das lojinhas. Tanto que comprei uma miniatura de um escultura LOVE!

Passamos depois pelo Globe Theater, onde Sheakespeare encenava suas peças, e que ainda hoje tem grande espetáculos, todos baseados em sua obra. Já por volta de umas 3 horas e roxos de fome, fomos ao Bourouth Market, ou algo que o valha. Um mercadão que perde para o mercado municipal de São Paulo. Comemos ali em volta e fomos British Museun. FANTÁSTICO!!!! Se não fosse pela dor na coluna, no pé, na perna e na cabeça, teríamos curtido muito mais. Tem obras incríveis do Egito, da Grécia e de Roma. Na verdade tem muito mais, mas não dávamos conta de mais nada. Voltamos para casa, cheios de souvenirs e acabados, com um pit stop rápido na MAC, onde a Rê deixou boa parte da verba para a viagem e no McDonalds.

Deixei a Rê em casa e fui para o Eduardo tomar um vinhozinho e matar um pouco a saudade. O apartamento dele é a coisa mais fofa do mundo. 4 andares. Um cômodo em cada andar e tudo perfeitamente decorado e aconchegante.

No dia seguinte fomos recebidos pela rainha. Se alguma vez eu me achei pobre, nesse dia me achei muito mais. Todas as salas do Palácio de Bukingham são lindas e COBERTAS DE DOURADO! Tem uma sala, a sala branca, que seria a coisa mais cafona do mundo se fosse em qualquer outro lugar, mas ali ficou magnífica. Imagino como são os cômodos que não conheci...

De lá fomos à National Galery ver uns brothers como Monet, Cezane, Rafael, Rembrant, Picasso, etc. Muito mais bonito do que a Tate Modern! De quebra tiramos a famosa foto com os famosos leões.

Dali fomos comprar o presente do Cássio em uma lojinha de animação. Compramos uma tulipa do bar de True Blood, um bonequinho de colecionar e uma revista com uma matéria sobre True Blood. Como também NÃO SOU OBRIGADO, comprei TODAS AS TEMPORADAS DE ALLY MCBEAL!!! Tive que aproveitar que poderei deixar as coisas em Londres, já que voltarei por lá também. Nos despedimos do Rafa em um almoço no Pizza Hut e fomos conhecer o último ponto turístico que nossa agenda comportava e que a chuva permitia, a Harrods. Imensa e CARA. Não indico para ninguém.

Algumas rápidas impressões de Londres: A cidade é linda. O trânsito é insano. O povo é lindo. É uma delícia andar por tudo. O Cássio é o melhor anfitrião do mundo. O trânsito é insano. É bom ter um bairro todo gay na cidade. É ótimo ter boa companhia para desfrutar tudo isso. Desista de falar inglês, pois você escutará muito mais português (ou alemão, chinês, espanhol,...). O consumo impregna na pele depois de algumas visitas às lojas da Oxford. O trânsito é insano. ESTOU COM MUITAS SAUDADES DE MEU AMOR E É DIFÍCIL FICAR LONGE...

Ainda não foi dessa vez que me apaixonei pela Europa, mas acho que está começando.

Tudo visto, voltamos para o hotel na noite de sexta-feira para fazermos as mochilas e nos prepararmos para a nova etapa... Berlim!

No vôo Rio-Madri

That`s life...

Estou agora a caminho de Madrid. Honestamente não tenho a menor ideia de quanto tempo mais de viagem tenho pela frente. Para variar, não consegui pregar o olho por um segundo sequer. Já aconteceu de um tudo no avião. Um homem passou mal e desmaiou no banheiro. No segundo que preguei o olho, e que poderia ao menos parecer o início de uma soneca, alguém começou a gritar AEROMOÇA para acudir o pobre. No final das contas, foi só um mal estar. Ainda no vôo a Renata foi pedir uma água e a comissária, fofa, mandou ela ir buscar. Pode?

O avião da Ibéria realmente não é nenhuma Brastemp. Bom, pode até ser uma daquelas beeeeeeem antigas. O filme passa em uma televisão que sai do teto. Até aí tudo bem, mas durante a decolagem tivemos a nítida sensação de que a televisão ia cair. Estava parecendo mais um sino do que uma televisão.

De qualquer forma, seria injusto só falar mal. Por outro lado, tem um comissário aplicadíssimo, que trabalha dobrado para compensar a colega preguiçosa. O jantar estava uma delícia. Pedi carne com purê de batata e abobrinha. A Rê pediu massa e não se arrependeu também. Ganhei também um kitkat, conhece? É um chocolate com biscoito dentro.

Ah!!! Lembrei de você váááárias vezes já. Em especial porque passou o filme Príncipe da Pérsia, que assistimos no Cidade Jardins naquela mega sala, lembra?

Amo e já estou com saudades!

PS: Sentar no meio do meio é horrível... Tem um velhinho que está praticamente se apoiando em mim para dormir. Ele tem uma carinha meiga, mas eu estou ficando com raiva já... Huhauahuahuahuah.

Escrevi faz tempo, mas foi pra vc...

Lindo,

Esse post aqui eu tinha escrito durante a minha viagem aos EUA. Ficou salvo no computador, mas acabei não colocando na página. Mesmo tendo passado mais de 25 dias, publicarei aqui para você saber no que eu estava pensando:

Aqui estou eu novamente após alguns dias de silêncio, né? Não tinha largado de lado o blog, viu? Só que com a viagem a Washington acabei tendo que me concentrar mais no trabalho. Neste exato momento estou no vôo. O Léo dorme aqui ao lado.

Meu amor, algumas coisas muito importante aconteceram nesta última semana, mas pra mim, sem dúvida alguma, nada mais relevante do que você ter ido comigo para o Rio de Janeiro. Tarde na praia, passeios no calçadão, encontro com os meninos, noites e tardes a portas fechadas...

Um sonho realizado ver você, meus pais, meu irmão, minha tia e prima na cozinha conversando e bebendo uma cervejinha. Demorou 10 anos para ele estarem preparados, e você não tem ideia do quão feliz eu fico por o coroamento do amadurecimento deles ter acontecido contigo. Na despedida antes do embarque uma coisa ficou muito clara para mim, eu amo você!

Um traço esquisito da minha personalidade foi vencido e te devo um beijo por isso. Por mais afável que eu seja, e sou, dificilmente alguém consegue me tocar de verdade. Não sei te explicar o porquê, mas é como se eu sempre guardasse algo por medo de entregar tudo. Por isso também dou tanto valor aos que conseguem chegar nesse ponto tão protegido, como o André e o Herbert. Contigo foi muito mais grave... Não há mais nada a ser entregue. Espero que ainda nos surpreendamos muito um com outro, mas o sentimento mais bonito que poderia nutrir por alguém já é seu!

PS: São 4:25 da manhã e não consigo dormir. A pior burrice que fiz foi perder uns minutos preciosos tentando encher o IPOD. Aqui realmente tem váááááárias músicas, incluindo a Leona! A viagem acabou de começar e já estou com saudades!

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Contagem regressiva. Cronômetro ligado.

Lindo da minha vida,

De ontem pra hoje vivemos algumas emoções diferentes, né? Essa despedida longa, o frio na barriga pela quantidade de dias distantes, o café da manhã com meus pais, a noite abraçados e os planos para o futuro. Todos feitos juntos...

É isso, meu amor, embarco para o que talvez seja a maior aventura que já vivi até agora. Estou atravessando o Atlântico pela primeira vez, visitarei lugareis que sequer conheço a língua local e me hospedarei em albergues, com as pessoas mais diferentes, dormindo no mesmo quarto. A ficha está caindo agora, mas minha maior preocupação, juro, é contigo. Em tentar deixa esse coraçãozinho calmo, para que esses dias de ausência passem da forma mais tranquila possível.

Por mais que você não queira falar sobre o assunto, acho bem pertinente que dedique um dos posts aqui neste blog à minha vida amorosa.

Existe um fato que é inegável: sou um cara sério e gosto de dividir a minha vida com alguém. Pensando com calma, isso acontece não desde os 20 anos, quando começou a minha vida gay, mas desde os meus 14 anos, quando primeiro dei o meu primeiro beijo.

Só para você ter uma ideia, namorei a menina com quem troquei o meu primeiro beijo por 2 anos, e por carta, acredita? Até hoje tenho as cartas guardadas. Eu morava em Brasília e meu pai foi transferido para Niterói. Lá fiquei por dois anos, até voltar para Brasília. Acredita nisso, meu amor?
Voltei para Brasília com 16, namoramos por pouco tempo na mesma cidade e terminamos. Após algum tempo solteiro, comecei a namorar a Estela. E lá se foram 3 anos. O resto da história você conhece...

Quando te digo que devo dedicar um post à minha vida amorosa, é porque quero que você saiba que é da minha natureza querer dividir a minha vida com alguém. Só assim consigo me sentir 100% feliz. Só que com você, pela primeira vez, a felicidade ultrapassa o meu espaço. Não sei se consigo explicar isso. Pela primeira vez na minha vida, a ideia abstrata que tinha nesses relacionamentos se concretiza como a realização de um sonho.

Pela primeira vez, lindo, não é só o enredo que está certo. Os personagens agora estão perfeitos. Parece que agora sim eu posso escrever toda a história que eu imaginei tantas vezes. Agora eu posso planejar acordar e olhar para a mesma pessoa deitada ao meu lado para o resto da vida. Aliás, eu não posso planejar. Pela primeira vez esse é o meu desejo mais recorrente.

Meu amor, a viagem está só começando e já sinto falta o seu abraço...

sexta-feira, 23 de julho de 2010

O que está por vir...

Amor meu,

Ontem fomos jantar com os nossos amigos de segundo grau. Primeiro você conheceu as meninas e depois fui encontrar com os seus amigos na casa da Roberta. Voltando para casa, conversamos sobre a pequena rusga que ocorreu quando disse não gostar de receber ligações quando estava acompanhado. Tudo resolvido, lembramos rapidamente do que importa: VOCÊ É TUDO NA MINHA VIDA!!!

Lindo, talvez seja desnecessário escrever esse post, mas quero muito falar um pouquinho sobre a nossa relação com os nossos pais, aceitação da sexualidade, e como lidar com essa fase. Quero contar um pouco de mim e falar um pouco de você!

Você está cansado de saber. A forma como você lida com isso me deixa orgulhoso. Isso entre muitas outras coisas! Esse momento agora é delicado e decisivo para a relação que você construiu com eles e também para como será a relação no futuro. Rafa, você não imagina o quanto me vejo no carinho e cuidado que você dedica a sua família. Entendo a vontade que você tem de dividir tantos momentos com eles porque vejo meus pais com um amor semelhante. Forte e incondicional. Eu jamais serei aquele que vai obrigá-lo a tomar uma decisão ou uma atitude diferente daquela que o seu coração está mandando. Na história que eu quero construir com você não pode haver culpa por ter errado com eles. Sei que isso seria insuportável demais! Também não concordarei sempre. Você já deve ter percebido isso. Por outro lado, mas estarei pronto para conversar e apoiar quando perceber que pode dar o próximo passo. Até o dia, quem sabe, em que nossas mães estejam juntas em uma reunião bebendo uma cerveja. Já imaginou? Honestamente não sei se elas se dariam bem, pois são parecidas demais.

Lindo, na história com os meus pais eu errei demais e acho importante que você saiba quais foram meus principais erros para que não os repita. Em primeiro lugar, nunca volte atrás. Acho que meu maior erro foi voltar atrás. Quando eu vi a tristeza que voltei aos meus pais era muito grande eu arrumei uma namorada para apresentar a eles. Óbvio que sei que você não
fará isso, mas nunca minta pra eles nesse sentido. Isso ajudaria a construir a ilusão a que eles tanto se prendem. No mais, eu me desrespeitei demais. A felicidade deles ficou à frente da minha por muito tempo. Por mais de 6 anos me preocupei mais com a tristeza que cultivei neles do que com a minha felicidade. Com isso eu negava quem eu era e os poupava da minha vida. Quando resolvi me rebelar foi muito mais doloroso.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Eu não Existo sem Você

Eu sei e você sabe, já que a vida quis assim
Que nada nesse mundo levará você de mim
Eu sei e você sabe que a distância não existe
Que todo grande amor
Só é bem grande se for triste
Por isso, meu amor
Não tenha medo de sofrer
Que todos os caminhos
Me encaminham pra você

Assim como o oceano
Só é belo com luar
Assim como a canção
Só tem razão se se cantar
Assim como uma nuvem
Só acontece se chover
Assim como o poeta
Só é grande se sofrer
Assim como viver
Sem ter amor não é viver
Não há você sem mim
Eu não existo sem você


Vinícius de Moraes

3 Meses com Sabor de Mais

Pela primeira vez escreverei aqui da aula da pós-graduação.

É engraçado isso, porque agora quando escrevo fico imaginando onde eu estarei quando você estiver lendo isso e como estaremos lidando com esse momento difícil cheio de saudades. Por outro lado, fico imaginando o tanto de histórias que teremos para trocar depois. Nem fui ainda e já não vejo a hora de te encontrar na volta para ficar horas e horas contando tudo.

Ontem completamos 3 meses. Já mandei uma mensagem dizendo isso, mas quero que você saiba que nunca fiquei tanto tempo com a nítida sensação de que sou uma das pessoas mais felizes do mundo. Obrigado pelo carinho e pela dedicação!

Amor da minha vida toda, esse post será um daqueles onde contarei um pouquinho mais de mim e falarei de sonhos. Calma, calma... Não é nada tão elaborado assim. Quero tentar contar qual é o meu sonho (ou viagem) mais recorrente. Sabe aquelas horas em que estamos sozinhos e nos pegamos fantasiando uma situação muito distante da nossa realidade, mas que seria o auge da nossa felicidade??? Pois bem, você vai rir, mas isso aqui é justamente para que nos conheçamos um pouco mais enquanto aplacamos a nossa saudade, então lá vai.

Bom, meu sonho é o seguinte:

Normalmente essa viagem acontece quando estou em casa sozinho ou quando estou no carro, sempre com a música irritantemente alta. Começo a ouvir a música e, de repente, me imagino em um show do artista que está cantando. Isso independe do ritmo ou do artista. Basta que eu goste muito, e que seja romântica a música. Me vejo então ao seu lado, no meio da multidão, cantando com todo o ar dos meus pulmões. O artista percebe minha empolgação e me convida para cantar com ele. Por fim, ele me pede para dedicar a música que acabei de cantar e, claro, peço para você subir ao palco, quando nos beijamos e, algumas vezes, o peço em casamento.

Claro que toda a beleza dessa cena depende, e muito, da trilha sonora. Como você sabe que meu gosto é duvidoso, posso contar que já me imaginei assim em um show da Ivete, ao som de "não precisa mudar, vou me adaptar ao seu jeito..."; em um show do Bruno e Marrone quando começar "me diz o que você quer que eu te faça e eu te faço amor..."; em um show da Maria Gadu quando ouço "teu olhar me tirou daqui, ampliou meu ser...". O auge seria com a sua prima, cantando Halo :))))

Pois é, lindo, isso acontece sempre. Engraçado é interpretar essa viagem. Além de deixar claro que eu amo você e tenho vontade de gritar isso pro mundo inteiro, diz muito de mim também. Sobre meus sonhos e frustrações.

Já contei a você que queria ser músico. Hoje seria um feliz cantor de barzinho. Essa viagem é um pouco por conta disso. Acho que sempre que me pego sozinho e em contato com a música extravaso um pouco da minha vontade.

Agora que já contei do sonho, posso falar de uma noite que foi muito especial na minha vida. Eu tinha algo em torno de 17 anos e morava na 103 norte. Tinha muitos amigos e foi,sem dúvida, uma das épocas mais felizes de toda a minha vida. Todos os dias, depois do Colégio Militar, nos reuníamos embaixo de um bloco e ficávamos conversando até às 14:00hs. Nossas mães queriam nos matar porque atrasávamos o almoço. A preocupação daquela época era unicamente passar de ano.

Bom, foi com esse povo, cerca de 20 pessoas, que fui a um karaokê. A farra era diária, mas esse dia foi super especial. O lugar era um pub na 105 norte, com uma bandinha tocando ao vivo. Eles intercalavam a apresentação deles com pedidos cantados pelos freqüentadores. Em um desses eu fui para o palco e cantei "Catedral". Me senti o maior astro pop do Brasil. O lugar estava cheio e fui suuuuper aplaudido. Huhauahauhauha. No final da noite o dono/gerente do lugar me chamou ao palco novamente e me presenteou com uma câmera e com uma garrafa de vinho! Foi uma mostra grátis do sonho que tenho, né?

No dia seguinte uma amiga muito querida preparou esse cartão.

Pronto... Agora vc me conhece um pouco mais...

Amo você!