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segunda-feira, 27 de setembro de 2010

E foi isso que achei de Paris...

Paris...

E eu que pensei que já tivesse visto tudo nesta vida!!! Se duvidava da existência de amor à primeira vista, passei a acreditar com a primeira vista de Paris. Amor à primeira vista. Logo na primeira hora o Adam nos levou para almoçar em um restaurante no terraço do centro Ponpidou. Já a caminho do restaurante, nas escadas rolantes que ficam aparentes fora do centro, tivemos uma vista panorâmica da cidade, de onde fomos apresentados rapidamente à torre, à Notre Dame, ao Montparnasse... E pela primeira vez em toda esta viagem eu tive de segurar as lágrimas para não chorar de emoção.

´Paris je t`aime´ passou a fazer todo o sentido. Não só pelo amor que a cidade desperta por ela, mas pelo amor que transborda dos casais apaixonados daqui. Namorar e dar beijos apaixonados no meio da rua ESTÁ SUPER USANDO EM PARIS! Vi algumas cenas de casais dos mais diversos tipos e gêneros provando que o amor não saiu de moda. E para completar, na última noite da Alessandra, ela contou que tinha visto dois caras tomando champanhe em uma das pontes do Sena. O Adam explicou que existe uma ponte que cruza o Sena só para pedestres, conhecida como a ponte dos namorados, em que muitos casais fazem promessa de amor eterno e trancam um cadeado na ponte, para simbolizar a eternidade do amor... E eu quero fazer isso com vc!!!!!

Não sei nem explicar o porquê de ser tão especial estar em Paris, mas ver essa cidade que muitas vezes foi cenário de histórias românticas mexeu comigo. Agora é fato. Me apaixonei pela Europa.

E foi lá no Terraço do Centro Pompidou mesmo, com a cidade aos nossos pés, que fizemos a nossa primeira refeição em Paris, na companhia da Rê e do Adam Jayme, que faz qualquer história real parecer a mais gostosa e divertida ficção. No mesmo dia conhecemos o Hotel de Ville, prefeitura da cidade e também considerada a construção mais romântica da cidade (continuo preferindo a torre).

E por falar em vista linda, tem duas coisas que ninguém pode falar que não fizermos: andar e ver Paris de cima. Exploramos todas as perspectivas mais lindas da cidade vistas de cima, seja no Terraço do Pompidou, seja na Torre Eiffel, seja no Montparnasse, seja na Cúpula da Sacre Croer, em Montmatre.

A do Terraço foi a que mais me emocionou, por ter sido a primeira. A da Secre Croer a mais ´custosa´, por eu ter tido de enfrentar 300 degraus de escada, já cansado das ladeiras de Montmatre. A do Montparnase a mais educativa, já que pudemos identificar todos os pontos conhecidos da cidade e fixar na cabeça a geografia de Paris. E a da Torre Eiffel... Ah!!! Essa não foi a mais nada, mas simplesmente especial. Fomos abençoados por um dia de sol e sem qualquer fila para a subida. Vimos Paris de cima, como se realmente fosse a primeira vez, e ao mesmo tempo cumprimentando uma velha amiga tão comentada. É como se agora eu pudesse conhecer qualquer lugar do mundo, já que visitei o mais famoso cartão postal do planeta! Coisa assim...

A companhia do Adam tem mesmo esse dom de nos contagiar e todos os nossos jantares foram mágicos. Além do Societé e outro também da rede Costes (Bouburg, ou algo assim – o antigo nome do Pompidou, onde fica o restaurante). O mais incrível foi um jantar no AZ (não lembro o que as letras significam). É um restaurante/lounge que tem sua própria linha de Cds. Fomos na terça-feira, então não havia balada. No lugar da balada havia cantores líricos que de 30 em 30 minutos entravam para cantar músicas de algumas óperas. Essa mistura de música lírica, companhia perfeita e comida deliciosa coroou um dia em que durante a tarde percorremos a Champs Elysee, vimos o Arco do Triunfo, passeamos pelo Jardim das Tuillers e vimos, pela primeira vez, o Museu do Luvre.

Para completar a lista de restaurantes teve ainda um Italiano, que a Berta, amiga do Adam, nos apresentou no último dia de viagem, e um indiano, ao lado da casa do Adam. A comida estava simplesmente divina neste indiano, com exceção da pimenta. Nos esbaldamos nas especiarias. A simpatia do staff era o máximo. O garçom que nos atendeu era tão engraçadinho que não deixava a Rê tirar fotos. Mas não só durante nossa estada lá eles foram bacanas. Quando a Alessandra chegou em Paris eles emprestaram um telefone celular e no nosso último dia ficaram com pena de mim e chamaram um táxi pra mim. Quando viermos a Paris temos de passar por lá...

Ainda no dia em passeamos pela Champs Elysses, conhecemos a Place des Invalides, onde fica o museu das armas e o túmulo do Napoleão e pelo Jardim das Tulliers. Antes tentamos ir ao Museu Rodin, que descobrimos depois já estar fechado, mas ficamos uma boa hora em frente ao museu rindo da primeira gafe parisiense da viagem:

Sentamos no café com planos unicamente de pedirmos uma água, como pretexto para a Rê usar o banheiro. Após uma breve análise no cardápio decidimos comer alguma coisinha por ali mesmo antes de continuarmos a caminhada. A Rê foi ao banheiro e ficou a meu encargo fazer o pedido. Fácil. O garçom chegou e eu rapidamente, com toda a fluência no francês que me é peculiar, pedi um saladinha parisiense. Antes da salada o garçon trouxe uma garrafa de água com dois copos... E a salada começou a demorar. Um pouco antes de a Rê voltar à mesa resolvi cheirar a água, pois estava achando estranha a demora da salada. Bingo, no lugar da minha salada veio um delicioso vinho rosê. De alguma forma inexplicável uma salada parisiense foi compreendida como vinho provance. Culpa do garçom que não deve falar uma palavra de francês!!! Estamos de férias e em Paris! Curtimos o vinho e toda a confusão rendeu boas gargalhadas.

Outra coisa que me chamou a atenção em Paris foi a qualidade do atendimento nos restaurantes, mesmo nos caros. Ou melhor, a baixa qualidade no atendimento. O Adam havia nos alertado no primeiro almoço, e confirmamos. Eles nos atendem na hora que querem. Não adianta abanar a mão ou assoviar. Também difere dos demais países porque a regra é não se esforçar para entender o turista. Você tem que ser muito simpático para receber como retorno um sorriso blasé. Tanto que quando alguma atendente nos dava um sorriso amarelo já falávamos: `Fofa ela, né?`, pois já era demais. Pelo menos uma vantagem no atendimento: também não deixávamos um centavo de gorjeta. Se o costume local é não sorrir, adotamos o costume local nas gorjetas também.

No dia da visita ao Sacre Croer, no walking tour feito em Montmatre, fomos apresentados à Alessandra, uma amiga de uma amiga do Adam, que dividiu o teto com a gente por 2 dias apenas, mas que nos divertiu até. Pense em uma menina doida! Ela não falava uma palavra sequer em inglês ou francês, mas era tão cara de pau que passou menos sufoco do que a gente. Uma das coisas mais engraçadas era ela chamar as pessoas que tinha acabado de conhecer na rua para pedir informação de ´amigo´: `Gente, eu estava no Luvre e conheci um amigo francês que era chef de cozinha. Ele me mostrou fotos das criações dele e eu disse que ele era o picasso da culinária`. Isso tudo sem falar uma palavra sequer em francês.

E foi na companhia da Rê e dessa doidinha que sentei exausto na pracinha de Montmatre, onde os artistas fazem caricaturas e retratos, para pedir um choppinho para relaxar. Dois chopps, uma coca e a conta. Total: 28,80. Sim! Todas as bebidas custavam 9,60. Foi o chopp mais caro que tomei e certamente a coca aguada mais cara que a renata tomou na vida. O garçon ainda teve a cara de pau de nos pedir gorjeta!

Não lembro exatamente a ordem dos dias, mas um dos lugares que mais me impressionou foi o Jardim de Luxemburgo. O conhecemos no mesmo dia da Notre Dame e da Fonte de Sant Michel. Pegamos também um dia de sol, com parisienses a rodo curtindo o sol à beira do chafariz central. Acho que foi nessa hora que o desejo de morar em Paris ficou mais forte. O lugar é lindo é feito para o desfrute dos parisienses. Cadeiras em volta do chafariz, flores impecavelmente cuidadas, gramado para os jovens se sentarem... E foi lá que cumpri minha promessa de pegar meu IPOD e ouvir `How do I Live (without you)` da Trisha Yearwood. Com certeza essa lembrança ficará marcada.

Ficará marcada também a nossa gafe. Conhecido o prédio do senado ficamos zanzando procurando o tal Palácio de Luxemburgo. Só depois descobrimos que eram a mesma coisa.

Acho que colocamos a nossa estrelinha de dever cumprido em todos os pontos turísticos obrigatórios, com exceção da La Chapel e da Praça do Trocadero, que deixamos de conhecer por conta do meu pequeno acidente...

Bom, deixamos para ver os museus no nosso penúltimo dia de viagem, já que a previsão do tempo nos trazia frio e chuva para o dia 24/09. Cumprido o combinado, estávamos prestes a deixar o Luvre, por volta das 20hs. Faltava ainda visitar uma única sala, que o Leonardo do meu trabalho reputava como sendo a mais famosa do Luvre, com o busto de Alexandre, o Grande e estátuas de Hércules e Diana. E foi bem nesta sala mais famosa do Luvre que tomei o maior tombo da minha vida... Estávamos ávidos para encontrar a tal estátua do Hércules, quando de repente vimos uma escultura de um homem com uma leão. Só podia ser... Descemos desatentos a escada... A Renata quase caiu e o: `Nossa! Eu quase caí!´ foi interrompido pelo estrondo da minha queda. Pelo barulho que o meu pé fez e pela dor que estava sentindo poderia jurar que a viagem estava encerrada.

Minha reação primeira foi ter uma crise de riso, que sempre acontece quando estou com muita dor. Tirei os sapatos, a Rê fez uma massagem e seguimos para a casa do Adam, a pé!!! Ele tinha combinado um queijos e vinhos com uns amigos locais e durante algum tempo eu consegui esconder a minha dor... Chegou uma hora que tentei colocar o pé no chão e percebi que não conseguiria sustentar meu peso. Nessa hora tive a nítida sensação de que ia desmaiar e corremos para o hospital.

Infelizmente usei meu seguro saúde! Ficamos quase duas horas no Hospital Americano de Paris, onde fui atendido em português por um médico francês, que disse ter aprendido português com as músicas e não poder mais voltar ao Brasil porque a esposa prefere o Chile e Buenos Aires, tudo isso sob os flashes das máquinas fotográficas da Rê e do Adam, que fizeram questão de registrar o nosso turismo no hospital francês.

Por fim, nada grave, apenas uma torção, ou melhor, duas torções no pé direito. Tratamento: Remédio para a dor e... muletas, que combinam muito pouco com o mochilão que estou carregando.

E assim fechei minha primeira estada em Paris. Agora é só juntar dinheiro para voltar aqui de novo... E que seja breve.

Que venha Veneza!!!

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